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A saúde era o que uma pessoa tinha até ao dia em que deixava de a ter e depois desse dia estava lixada e era melhor não deixar os médicos lixarem-na antes de chegar esse dia.
Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites de Salman Rushdie (página 115)

(…) Num vila romena, uma mulher começou a pôr ovos. Numa cidade francesa, os cidadões começaram a transformar-se em rinocerontes. Os idosos irlandeses começaram a viver em caixotes do lixo. Um belga olhou-se a um espelho e viu a sua nuca refletida nele. Um funcionário russo perdeu o nariz e depois viu-o a passear sozinho por São Petersburgo. Uma nuvem estreita trespassou a lua cheia (…)
Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites de Salman Rushdie (página 108)

Breve referência ao espectacular conto de Nikolai Gogol, “O Nariz”, que pode ser lido no livro Contos de S. Petersburgo publicado pela Saída de Emergência.

Quando os outros nos levam a irritarmos-nos com eles — com a sua insolência, injustiça, falta de escrúpulos — então o que acontece é que exercem poder sobre nós, alastram, devorando-nos a alma, pois a irritação é como um veneno ardente, que destrói todos os sentimentos brando, nobres e equilibrados, e nos rouba o sono. (…) O que poderia significar agir correctamente perante a irritação?
Comboio Nocturno para Lisboa de Pascal Mercier (pág. 369)
Quero percorrer o meu caminho pela vida no anonimato. A cegueira dos outros é a minha segurança e a minha liberdade.
Comboio Nocturno para Lisboa de Pascal Mercier (págs. 409 e 410)
Logo a seguir, instalou-se um silêncio como ele nunca havia sentido, um silêncio onde os anos se calavam.
Comboio Nocturno para Lisboa de Pascal Mercier (página 147)
… um desejo evanescente e patético — de voltar àquele ponto da minha vida em que teria podido optar por uma outra direcção completamente diferente daquela que acabou por fazer de mim aquilo que hoje sou?… Sentar-me uma vez mais no musgo quente, com o boné entre as mãos — isso só pode representar o desejo paradoxal de viajar para trás no tempo que me fez, mas levando-me simultaneamente a mim, àquele que agora sou e que foi marcado por tudo o que aconteceu.
Comboio Nocturno para Lisboa de Pascal Mercier (página 146)

não me grite!

“Não me grite!” é um livro de Quino (Joaquim Lavado) editado pela Dom Quixote na excelente colecção Humor com Humor se Paga (n.º 1) em 1987 Setembro.1985 (3ª edição).

É um livro excelente, como qualquer obra de Quino. Se já sabíamos que é possível descer para baixo e subir para cima as duas imagens que ilustram este post comprovam com facilidade que também se pode descer para cima.

não me grite!, quino

não me grite!, quino

fragmento.00109

a imortalidade (…) é o que se vive enquanto a morte não chega.
Vida e Morte dos Santiagos por Mário Ventura
Tanto eu como você já vivemos o suficiente para não corrermos a foguetes como dois galos tontos. Se há revolução desfaçam-na os que a fizeram. Que necessidade temos nós de meter o nariz na merda dos outros? As revoluções está visto e provado, nunca transformaram nada, sobretudo aqui, aonde nem chega o eco dum peido real. Faça como eu: deixe-se estar quieto e espere com calma, e as próximas notícias já serão melhores do que as primeiras.
Vida e Morte dos Santiagos por Mário Ventura
(…) prefiro mil vezes a guerra: sabemos quem é o inimigo.
Fado Alexandrino por António Lobo Antunes