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os despojados de ursula k. le guin

12 Fev
12.02.2020

Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?

Lido pela primeira vez com 17 anos (1985), numa edição das Publicações Europa-América, quando estava em França a passar umas longas férias, “Os Despojados, Uma Utopia Ambígua” de Ursula K. Le Guin foi um livro que me marcou.

edição pelas publicações europa-américa em dois volumes

Quando a Saída de Emergência decidiu reeditar esta obra magistral comprei-a, sem sobressaltos, assim que lhe coloquei os olhos em cima. Adiei foi o prazer da sua releitura até que, enfim, tive de pegar no livro.

Terminei-o hoje e continua a ser um livro cheio de vivacidade, com personagens marcantes – uma história intemporal.

Tradução de Fernanda Semedo

A revisão podia ser mais cuidada. O livro apresenta algumas gralhas desnecessárias.

O livro é composto por 13 capítulos identificados de Capítulo 1 ao Capítulo 13.
Na edição das Publicações Europa-América os 13 capítulos têm a seguinte denominação:

  1. ANARRES. URRAS
  2. ANARRES
  3. URRAS
  4. ANARRES
  5. URRAS
  6. ANARRES
  7. URRAS
  8. ANARRES
  9. URRAS
  10. ANARRES
  11. URRAS
  12. ANARRES
  13. URRAS. ANARRES

60. a estação dos loucos

24 Mai
24.05.2019

Neste capítulo do livro “O Paraíso e Outros Infernos” de José Eduardo Agualusa o autor, partindo de um estudo publicado pela revista Science no qual se concluiu que o aumento da temperatura provoca um aumento de violência, passeia-se pelos efeitos que os excessos da temperatura causam no comportamento humano.

Isto levou-me a pensar na excelente novela “A Vaga de Calor” (1986) por Urbano Tavares Rodrigues.

traduções, escolhas…

21 Mar
21.03.2019

“Um Estranho Numa Terra Estranha” é um livro originalmente escrito em inglês que a páginas tantas tem o seguinte texto:

IN THE VOLANT LAND OF LAPUTA, according to the journal of Lemuel Gulliver recounting his Travels into Several Remote Nations of the World, no person of importance ever listened or spoke without the help of a servant, known as a “climenole” in Laputian-or “flapper” in rough English translation, as such a Servant’s only duty was to flap the mouth and ears of his master with a dried bladder whenever, in the opinion of the servant, it was desirable for his master to speak or listen.

texto na edição original

(…) century and half before they were observed by Terran astronomers, and, secondly, Laputa itself was described in size and shape and propulsion such that the only English term that fits is “flying saucer.”

texto na edição original

A minha primeira leitura do livro “Um Estranho Numa Terra Estranha” foi a edição da Publicações Europa-América de 1982, Livros de Bolso, série Ficção Científica, traduzido por Luísa Rodrigues. Aqui a tradução do termo “flapper” não foi feita.

(…) ou flapper, na tradução inglesa (…)

página 128

Convém referir que a edição publicada pelas Publicações Europa-América não é a história completa, mas a edição que continha cerca de 160.000 palavras. A edição publicada pela Saída de Emergência é a edição completa a rondar as 220.000 palavras.

The earlier edition contained a few words over 160,000, while this one runs around 220,000 words. Robert’s manuscript copy usually contained about 250 to 300 words per page, depending on the amount of dialogue on the pages. So, taking an average of about 275 words, with the manuscript running 800 pages, we get a total of 220,000 words, perhaps a bit more.

perfácio

Ao longo da tradução de Jorge Candeias para a edição da Saída de Emergência vamos lendo:

Aprendera recentemente a falar inglês simples (…)

página 33, volume I

Secretário-Geral: Não preciso dele. Você diz que o Smith compreende o inglês.

página 67, volume I

– Aguenta aí – disse apressadamente Harshaw – O problema está na língua inglesa, não em ti.

página 172, volume I

Mas chegados à parte sobre a terra de Laputa o tradutor escolhe este caminho:

(…) ou «batedor», em tosca tradução para português (…)

página 202, volume I

(…) e uma propulsão que o único termo português que lhe corresponde é o de «disco voador».

página 204, volume I

Numa tradução espanhola de 1996 por Domingo Santos (Plaza & Janés Editores S.A.), temos:

(…) «palmeador» según su traducción aproximada al inglés (…)

Gostava de saber por que o tradutor Jorge Candeias optou pelo caminho de traduzir a palavra “inglês” para “português“.

edgar allan poe

28 Jan
28.01.2019

Edgar Allan Poe nasceu em 1809[1] há 210 anos em Janeiro de 1809 e é um dos escritores que mais admiro.

Desde que li os livros “Histórias Extraordinárias I” e “Histórias Extraordinárias II”, publicados pela editora Publicações Europa-América em 1998, foi amor à primeira leitura.

Em Novembro de 2014 foi publicado pela Temas & Debates uma edição de grande qualidade com todos os contos do autor.

Falta agora uma edição com os seus outros trabalhos.


“Poe, Uma Vida Abreviada” de Peter Ackroyd é uma leitura excelente para ser perceber um pouco da vida de Poe.


[1] 19.01.1809

um estranho numa terra estranha por robert a. heinlein (nova edição)

09 Mai
09.05.2018

Foi em 1986 que li esta fantástica história de Robert A. Heinlein numa edição das Publicações Europa-América.

Tenho agora nas mãos a edição da Saída de Emergência, primeiro volume; um lançamento memorável e integral que irei mergulhar assim que for publicado o segundo volume.

Um Estranho Numa Terra Estranha foi um leitura que deixou marcas positivas, como será agora a releitura deste épico de ficção científica?


Post um pouco mais completo do que este.

“minha mãe, vou perder a razão”

07 Out
07.10.2010

“(…) Afinal, quem esperamos nós…? (…) ”E então? Ele não é, por certo…?(…) ”Quem mais poderia ser? (…) Quem mais poderia ser, senão ele? Que loucura a nossa”

A Marquesa de O por Heinrich Von Kleist

Hoje pela manhã uma enorme ansiedade colou-se à minha pele mal ultrapassei os muros do cemitério. Não sei o motivo de tal acontecimento. Nunca antes me tinha acontecido. Veio-me, imediatamente, à memória esta frase:

Aconteceu-me qualquer coisa; já não posso duvidar. Qualquer coisa que veio à maneira de duma doença, não como uma vulgar certeza, não como uma evidência; que se instalou sorrateiramente, pouco a pouco. A dada altura senti-me um tanto esquisito, algo incomodado, mais nada.

A Náusea por Jean-Paul Sartre

E ainda agora, não num estado tão avançado, sinto-me incomodado. Sem perceber as razões escrevo, sempre, como forma de exorcizar e compreender esse sentimento pegajoso.

contos irónicos

06 Fev
06.02.2008

— Já não aguento mais — disse a rapariga subitamente —, já não aguento mais, é desumano o que exiges. Há homens que exigem coisas imorais de uma rapariga, mas o que tu exiges de mim é quase mais imoral de que as coisas que outros homens exigem de uma rapariga.
Murke suspirou.
— Meu Deus — disse. — Querida Rina, tenho de voltar a cortar tudo isto; sê sensata, sê boazinha, e silencia-me ainda pelo menos mais 5 minutos de fita.
(…)
— Ai, Rina — disse —, se tu soubesses o quanto me é precioso o teu silêncio. À noite, quando estou cansado, quando tenho de estar aqui sentado, passo o teu silêncio. Por favor, sê gentil e silencia-me só mais três minutos e poupa-me os cortes; bem sabes o que significa para mim cortar.

página 83

Heinrich Böll, Contos Irónicos // título original: Erzählungen // tradução: Veronika de Vasconcelos // editor: Europa-América, Livros de Bolso, n.º 346, 1983, Mem Martins

o processo

09 Jun
09.06.2006

(…) “Esta é a lei. Como pode, pois, haver um engano?” “Desconheço esta lei”, respondeu K. “Tanto pior para si”, replicou o guarda. “E provavelmente ela não existe, a não ser nas vossas cabeças”, volveu K. (…) “Olha, Willem, ele diz que não conhece a lei e, no entanto, declara que está inocente.”

página 10 e 11

Franz Kafka, O Processo // título original: Ein Prozess // tradução: Maria José Fabião // editor: Publicações Europa América, Mem Martins, Jul. 1976

25 Mai
25.05.2006 Meu Deus. Um minuto inteiro de felicidade.
Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski

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