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no interior: “autobiografia”

Vinheta existente no interior do livro Autobiografia de José Luís Peixoto, editado pela Quetzal Editores.

(…) Nesse instante, aquele mês de agosto, não demasiado quente, regressava pela janela, voltava a ter autorização para transpor as cortinas. A luz agarrava-se toda ao papel de parede.
Autobiografia de José Luís Peixoto (página 41)

A adorar a leitura. A adorar.

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Clássico não é um livro (repito-o) que necessariamente possua tais ou tais méritos; é um livro que as gerações dos homens, instadas por diversas razões, leem com prévio fervor e com uma misteriosa lealdade.
Outras Inquirições de Jorge Luis Borges (página 256)

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(…) Hume negou a existência de um espaço absoluto, em que cada coisa tem o seu lugar; eu, a de um único tempo, em que se delimitam todos os acontecimentos. Negar a coexistência não é menos árduo que negar a sucessão.
Nego, num elevado número de casos, o sucessivo; também nego, num elevado número de casos, o contemporâneo. O amante que pensa: «Enquanto eu estava tão feliz, pensando na fidelidade do meu amor, ela enganava-me», engana-se; se cada estado que vivemos é absoluto, esta felicidade não foi contemporânea desta traição; a descoberta desta traição é simplesmente mais um estado, inapto para modificar os «anteriores», embora não a sua lembrança. A desventura de hoje não é mais real que a fortuna pretérita.
Outras Inquirições de Jorge Luis Borges (página 234)

outras inquirições de jorge luis borges

E terminei o ano com este admirável livro. Mais que excelente – soberbo!

Tradução: José Colaço Barreiros

no interior: “viagens sem bola”

Vinheta existente no interior do livro Viagens Sem Bola de Rui Miguel Tovar editado pela Quetzal e publicado na colecção Terra Incógnita.

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O capítulo que diretamente fala de Cristo não é efusivo. Limita-se a invocar dois lugares da Escritura, a frase «dou a minha vida pelas ovelhas» (João 10:15) e a curiosa locução: «Deu o espírito», que usam os quatro evangelistas para dizer «morreu». Destes lugares, que confirma o versículo: «Ninguém me tira a vida, dou-a eu» (João 10: 1 8), infere que o suplício da Cruz não matou Jesus Cristo e que este, na verdade, se deu morte com uma prodigiosa e voluntária emissão da sua alma. Donne escreveu esta conjetura em 1608; em 1631 incluiu-a num sermão que pregou, quase agonizante, na capela do palácio de Whitehall.
Outras Inquirições de Jorge Luis Borges (página 130)
Biathanatos, a Declaration of that Paradoxe or Thesis, that Selfe-homicide is not so Naturally Sinne, that it may never be otherwise (em português: Biathanatos, uma declaração daquele paradoxo, ou tese, segundo o qual o auto-homicídio não é tão naturalmente um pecado que nunca possa vir a deixar de sê-lo), ou simplesmente Biathanatos, é um livro do poeta inglês e padre anglicano John Donne, no qual ele argumenta que, sob certas condições, o suicídio é defensável. Estima-se que a escrita do livro foi completada em 1608, mas foi somente em 1647, depois de sua morte e contra a vontade de Donne, que o trabalho foi publicado por seu filho. O significado histórico de Biathanatos está no fato de ser o primeiro texto em inglês que trata da proibição cristã do suicídio.

Wikipédia

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Mencionar o nome de Wilde é mencionar um dandy que também fosse poeta, é evocar a imagem de um cavalheiro dedicado ao pobre propósito de espantar com gravatas e com metáforas.
Outras Inquirições de Jorge Luis Borges (página 111)

fragmento.000466

Toda a colaboração é misteriosa. Esta do inglês e persa foi-o mais que nenhuma, porque eram muito diferentes os dois e se calhar na vida nem teriam travado amizade e a morte e as vicissitudes e o tempo serviram para que um soubesse do outro e fossem um único poeta.
Outras Inquirições de Jorge Luis Borges (página 109)

fragmento.000465

Por alturas de 1938, Paul Valéry escreveu: «A história da literatura não deveria ser a história dos autores e dos acidentes da sua carreira ou da carreira das suas obras, mas a História do Espírito como produtor ou consumidor de literatura. Esta história poderia ser levada a cabo sem mencionar um único escritor.»
Outras Inquirições de Jorge Luis Borges (página 19)

no interior: “o amante do vulcão”

Vinheta no interior do livro “O Amante do Vulcão” de Susan Sontag, editado pela Quetzal.