Artigos

— A catástrofe é a nossa história de embalar.
Zero K de Don DeLillo (página 70)
(…) A comida tresanda a cólera, viajar lá é sempre desconfortável e por vezes perigoso, e os afegãos são preguiçosos, inativos e violentos.
O Grande Bazar Ferroviário de Paul Theroux (página 98)

Eis uma forte opinião ou apenas uma afirmação política! (livro escrito em 1975)

As pessoas queixavam-se dos impostos e do recrutamento como sempre; mas havia um vazio sob a apática crucificação da política.
O Pistoleiro de Stephen King (página 156)
O quarto no longo corredor vazio. A poltrona, a cama, as paredes nuas, o teto baixo. Sentado no quarto e depois a vaguear pelos corredores, sentia-me reduzido ao meu eu mais diminuto, todas as fantasias presunçosas em torno de mim mirradas até não passarem de devaneios íntimos, porque o que sou eu neste lugar senão alguém a precisar de se defender.
Zero K de Don DeLillo (página 61)
HÁ QUANTOS ANOS FAZIA AQUELE CAMINHO PARA CASA? Há demasiados anos. Há quantos anos, ao fazer aquele caminho para casa, pensara se esse fora o destino que escolhera? Há muitos anos, anos de mais — mas nunca dera crédito à pergunta, porque a achara despropositada. E, portanto, é como se nunca a tivesse feito.
O Colecionador de Erva de Francisco José Viegas (página 187)
«A leitura é urna tarefa cada vez mais perigosa e arriscada, Isaltino. Ler é urna ocupação de risco a partir de certa altura. Com a idade, os olhos não resistem a tantos maus livros. E já não falo do cérebro.»
«Fica com um ar mais respeitável, chefe.»
«É bem capaz de ser. A oftalmologia é uma ciência nobre. Trata da promoção social das classes desfavorecidas. Na minha aldeia só o padre, o merceeiro e uma tia minha tinham óculos. Os outros limitavam-se a ver mal e julgavam que o mundo era assim, desfocado ou sujo. Não conheciam a retina, não sabiam o que eram as cataratas, não tinham termo de comparação, ignoravam a existência de dioptrias. E nunca poderiam ler Tolstói nem Turguéniev.»
O Colecionador de Erva de Francisco José Viegas (página 19)
já existem suficientes comentadores sociais de reduzida categoria cerebral. por que haveria eu de acrescentar a minha rosnadela de alta categoria? todos nós apanhámos as velhotas a dizer: «ah, acho HORRÍVEL aquilo que os jovens fazem a si mesmos, aquela droga toda e tal! parece-me terrível!» e depois olhamos para a velha: sem olhos, sem dentes, sem cérebro, sem alma, sem rabo, sem boca, sem cor, sem mutação, sem humor, nada, um mero pau, e perguntamo-nos o que terão feito por ELA o chá e os biscoitos e a igreja e a casa de esquina. e por vezes os velhos tornam-se muito violentos em relação ao que alguns jovens andam a fazer — «porra, trabalhei que nem um MOURO a minha vida toda!» (julgam eles que isso é uma virtude, embora só prove que um tipo é completamente idiota.) «estes tipos querem tudo em troca de NADA! andam por aí a destruir o corpo na droga, a contar viver uma vida à grande e à francesa!»
Histórias de Loucura Normal de Charles Bukowski (página 342)

coincidências ou não?

Alguns dos livros que vou lendo estão de alguma forma ligados entre si. Ora vejamos, textos retirados do livro “O Homem Que Escrevia Azulejos” de Álvaro Laborinho Lúcio.

— Este é o papagaio de Flaubert. O verdadeiro.

página 206

Uma referência que eu colo ao livro “O Papagaio de Flaubert” de Julian Barnes.

Uma conversa com Félicité é sempre uma aventura.

página 206

Aqui fala-se claro da personagem do maravilhoso conto “Um Coração Simples” de Gustave Flaubert.

Ursula evitou-me durante vários dias. Eu evitei-a. Gregory evitou-me. Eu evitei-o. Ele também a evitou, a ela, e ela evitou-o a ele (tenho quase a certeza), o que trouxe algum conforto. Estávamos sempre quase a tropeçar uns nos outros, inevitavelmente. Gostava que pudéssemos deixar de nos evitar o tempo suficiente para chegarmos a acordo quanto a evitar-nos como deve ser.
Sucesso de Martin Amis (página 233)

sucesso do ovo

Quase sempre a vinheta no interior dos livros da Quetzal Editores têm como ponto de partida algumas palavras da história. A maior parte das vezes não coloco essa referência pois a descubro dias, ou semanas após colocação do post. No presente caso, porque sim, coloco a referência ao ovo da vinheta do livro “Sucesso” de Martin Amis.

(…) Lembro-me de que acabava de despachar a cozinheira com umas palavras duras sobre a consistência do meu ovo quente e, enquanto esperava os 285 segundos necessários à preparação do substituto, recostei-me na cadeira estimulando o paladar com um pedaço de torrada e Gentleman’s Relish.

página 63