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(…) — E a segunda?
— Ócio.
— Oh, mas já temos imenso tempo livre!
— Tempo livre, sim. Mas tempo para pensar? Se não estamos a conduzir a mais de cem à hora, sem espaço na cabeça para outra coisa que não seja o perigo da situação, estamos em casa a jogar um jogo qualquer ou sentados numa salinha rodeados de ecrãs de televisão. Porquê? Porque a televisão é “real”. É imediata, tem dimensão. Diz-nos o que pensar e di-lo aos gritos. Aquilo só pode ser certo para nós, parece tão certo. Leva-nos tão depressa na enxurrada até às suas conclusões que a nossa mente não tem nem tempo para protestar e pensar no absurdo de tudo aquilo.
(…)
— A minha mulher diz que os livros não são reais.
— Graças a Deus por isso! Podemos fechá-los e dizer: “Espera lá…” Podemos ser Deus com eles. Mas quem já conseguiu desprender-se das garras que nos envolvem numa sala de ecrãs? Estes fazem de nós o que querem! São um ambiente tão real como o mundo lá fora. Tornam-se e são a verdade.
Fahrenheit 451 de Ray Bradbury (página 116)

(…) — Número um: sabe porque é que livros como este são tão importantes? Porque têm qualidade. E o que significa a palavra “qualidade”? Para mim significa textura. Este livro tem poros. Tem feições. Podíamos analisá-lo ao microscópio, e encontraríamos vida por baixo da lamela uma profusão de vida em movimento. Quanto mais poros, quanto mais registos dos pequenos pormenores da vida tal como ela é encontramos por centímetro quadrado numa folha de papel, mais “literário” é o texto. Essa é, pelo menos, a minha definição. O pormenor revelador. O pormenor fresco. Os bons escritores tocam muitas vezes a vida. Os medíocres apenas lhe passam a mão pelo pelo. Os maus violam-na e deixam-na para as moscas. Vê agora porque os livros são temidos e odiados? Porque mostram os poros do rosto da vida. As pessoas confortáveis querem apenas rostos lisos como cera, sem poros, sem pelos, sem expressão. Vivemos num tempo em que as flores procuram viver à custa de outras flores, em vez de se agarrarem ao solo fértil e subsistirem da chuva.
Fahrenheit 451 de Ray Bradbury (página 115)

(…) Mas vou sobretudo ao metro ouvir o que se passa. E aos bares e cafés. E sabe que mais?
— O quê?
— As pessoas não falam sobre nada de jeito.
— Oh, que ideia! Devem falar, com certeza.
— Não, não falam. Dizem uma série de marcas de automóveis ou de roupas, falam de piscinas sobretudo, e dizem que é tudo muito giro! Mas todos dizem as mesmas coisas, e ninguém diz nada de diferente.
Fahrenheit 451 de Ray Bradbury (página 54)

a companhia negra de glen cook

Durante incontáveis gerações, a Companhia Negra, a mais famosa e temida irmandade de mercenários, serviu grandes senhores. Mas os dias de glória há muito que ficaram para trás. A trabalhar para o governador de uma ilha insignificante, estes veteranos limitam-se a fazer aquilo para que são pagos, enterrando com os seus mortos o desencanto que os atormenta.
Entretanto, depois de séculos de enclausuramento, a Senhora ressurgiu. Alguns acreditam que ela é a única que mantém o mundo a salvo de um mal maior. Outros temem que ela seja a encarnação desse mesmo mal.
Quando surge a profecia de que, algures, nasceu uma jovem que irá livrar o mundo da Senhora e dos seus exércitos impiedosos, a Companhia Negra terá de escolher um lado.

Wook

Livro que vale o seu peso em ouro. História monumental. Não desaponta.

Aqui se inicia pela Saída de Emergência uma das melhores sagas de fantasia de todos os tempos.

Tradução: Renato Carreira

no interior: “a companhia negra”

Vinheta existente no interior do livro A Companhia Negra editado pela Saída de Emergência.

Na edição inglesa que possuo temos a seguinte imagem

a ler “as crónicas da companhia negra”

Apesar de já ter comprado há algum tempo a versão original das três primeiras histórias d’ As Crónicas da Companhia Negra de Glen Cook num único volume (omnibus edition) que comecei a ler em 2018. A verdade é que parei de o fazer quando soube que os mesmos iriam ser editados pela editora Saída de Emergência.

Ontem reiniciei o mergulho na Companhia Negra.

segunda fundação de isaac asimov

Apenas uma pequena gralha que não ofuscou a leitura. Trilogia fundamental de ficção científica que nesta nova edição pela Saída de Emergência merecia um melhor cuidado.

Fundação continua e continuará a ser uma das melhoras referências do que melhor se escreveu. Um clássico por direito próprio.

Tradução: Jorge Colaço

fundação e império de isaac asimov

Obra monumental. Nada de negativo a apontar nesta obra marcante de ficção científica… excepto uma edição pela Saída de Emergência cheia de gralhas.

Isaac Asimov merecia uma edição mais cuidada.

Tradução: Jorge Colaço

fundação e império pela saída de emergência

Se no primeiro volume somos atacados pelas gralhas, neste volume é a numeração das páginas que decidiu fazer das suas.

Depois da página 224 encontramos a página 229… e procuramos… a 225

e a página 225 está junto à página 232…

… e assim sucessivamente – todo fora de ordem.

A leitura em tom de puzzle é, então, assim:

  • página 224 – pausa e procura
  • páginas 225, 226, 227, 228 – pausa e procura
  • páginas 229, 230, 231, 232 – pausa e procura
  • páginas 233, 234, 235, 236 – pausa e procura
  • páginas 237, 238, 239, 240 – pausa e procura
  • páginas 241, 242, 243, 244 – pausa e procura
  • páginas 245, 246, 247, 248 – pausa e procura
  • páginas 249, 250, 251, 252 – pausa e procura
  • páginas 253, 254, 255, 256 – pausa e procura
  • página 257 e seguintes

Estes avanços e recuos foram desesperantes e o ritmo da leitura perdeu-se – zero coesão!

(…) Num vila romena, uma mulher começou a pôr ovos. Numa cidade francesa, os cidadões começaram a transformar-se em rinocerontes. Os idosos irlandeses começaram a viver em caixotes do lixo. Um belga olhou-se a um espelho e viu a sua nuca refletida nele. Um funcionário russo perdeu o nariz e depois viu-o a passear sozinho por São Petersburgo. Uma nuvem estreita trespassou a lua cheia (…)
Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites de Salman Rushdie (página 108)

Breve referência ao espectacular conto de Nikolai Gogol, “O Nariz”, que pode ser lido no livro Contos de S. Petersburgo publicado pela Saída de Emergência.