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— O futuro para mim quase não tem segredos. Lembro-me de amanhã como se fosse ontem. (…)
— Vou andando. Aparece lá em casa e falamos dos velhos tempos. O futuro, por vezes, dá-me saudades do passado.
A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa (página 49)

reflexões redondas!

Uma pança redonda e firme é algo espectacular; uma obra de engenharia. Digna de ser pintada por um Rubens.
Uma pança em socalcos, caída é uma coisa disforme. Olhas para ela com desgosto e recordas com saudade quando o teu umbigo sorria no topo de uma montanha.

Uma reflexão directamente da sanita.

saudades

Sinto saudades do tempo em que era um alienado e vivia exilado em sonhos LSD. Pode, até, nem ser saudade este sentimento que me envolve em nevoeiro. Pode ser, apenas, a melancolia da distraída ignorância.

haja ânimo

Todos os dias eles subiam a mesma escada; encontravam, logo no topo, assim de rajada, enclausurado na vitrina de sempre, o mesmo cartaz com os dizeres “Haja Ânimo”.

Todos os dias, que eram tudo menos santos dias, contavam mentalmente, com o coração cheio de desânimo, os degraus: e um, e dois, e três, e agora quatro, e cinco, e já está quase, e seis, e sete, e oito, e noveeeeee e raios partam tudo… ufa… dez. E logo no patamar o cartaz que já foi de um amarelo vivo, agora descolorado pela passagem dos anos, sorria desdenhosamente para eles a publicitar um já muito ultrapassado “curso prático contra o desânimo, o ruído, o medo e a solidão”. Sentiam, quando o deixavam para trás, o sorriso espetado nas costas – a gozar com eles.

Eles que já foram crianças cheias de sonhos, adolescentes com hormonas saltitantes, adultos com esperanças, velhos com saudades. Eles que passaram por todas as pungentes quatro fases de um ciclo de vida, mas ao contrário da borboleta a última fase não é de um lindo renascimento, vêm-se agora numa nova, assustadora e inesperada quinta fase: a fase zombie.

Eles de olhos mortiços, corpos amortalhados, de andar morrediço são os novos zombies; são a corporalização do desalento, do dilaceramento individual; são autómatos de carne e sangue que obedecem sem reflexão a vontades incoerentes. Eles sabem-se bobis que recebem diariamente um osso descarnado em troca do nada.

O que lhes resta? Certamente a revolta, porque a vida nunca são dois dias.

deth’tilac

Este foi o terceiro tame especial da noite. Tenho de agradeço ao Éffe pela ajuda. Se já sentia saudades do jogo – são estes grandes pormenores que valorizam ainda mais jogar wow.

Os três pets foram baptizados com nomes de bolos.

tron: o legado

Quando soube que iam fazer um filme baseado no universo “Tron” no primeiro minuto recordei com saudade o “Tron” de 1982; no segundo minuto imaginei que até seria engraçado um novo filme; ao terceiro minuto já estava a pensar noutra coisa.

Passadas os 120 minutos e visionamento do filme fiquei contente por aquele primeiro minuto: recordei com saudade o “Tron” de 1982.

deuses americanos

Em “Deuses Americanos” Neil Gaiman oferece uma road story, digamos, mitológica agradável. Li o livro sem problemas. O enredo está bem construído, deuses com idiossincrasias engraçadas, mas no geral é um livro que não me deixa saudades. Tem pormenores interessantes: adorei a zombie esposa. Faltou-lhe alguma coisa para me deixar uma sensação final de encantamento. Talvez as quebras de ritmo narrativo? Ou simplesmente a ausência de um qualquer ingrediente.

A mais valia é, contudo, a facilidade com que Gaiman brinca ousadamente com os diferentes deuses e os mistura numa salada bem condimentada.

O deus Anansi tem aqui uma presença fugaz; em “Os Filhos de Anansi” Neil Gaiman criou uma história na qual ele é A personagem.

dura realidade

Ah pois é…a dura realidade.
No Facebook, todos temos um monte de amigos.
Mas se precisarmos, não há muita gente com quem se possa contar.
Então, vamos começar a apostar que nem 5 amigos vão publicar este texto no seu mural!
Clica em “gosto” para eu saber que publicaste no teu mural…ou não!!!
Eu vou ver …………. 😛

ai que (não) saudades que tenho destas mensagens de merda.

os incontornáveis da banda desenhada – volume 1

É de louvar mais uma iniciativa da ASA (Público) em editar álbuns de banda desenhada no mercado português. A colecção “Os Incontornáveis da Banda Desenhada” é uma boa aposta da editora.
Infelizmente ainda só li parte do primeiro volume desta colecção com duas aventuras da famosa dupla Valérian e Laureline de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières: “Nas Imediações do Grande Nada” (Au Bord du Grand Rien) e “O AbreTempo” (L’OuvreTemps). Adorei, como sempre ler uma nova aventura inédita em Portugal que trouxe imensas saudades a reboque, mas que me deixou plenamente satisfeito. “Nas Imediações do Grande Nada” tem tudo o que os outros álbuns têm e alguma coisa mais.

Com esta edição ficarei com a minha colecção, edições portuguesas, completa porque nunca cheguei a comprar o álbum “A Ordem das Pedras” editado em 2007 pela ASA. Não fazia sentido ter e tentar ler esse álbum (n.º 20) sem ter lido o n.º 19 (“Nas Imediações do Grande Nada”).

Agora sim, com esta nova edição integrada na colecção “Os Incontornáveis da Banda Desenhada” já é possível ler os três últimos álbuns de Valérian e Laureline sem buracos. Como já li a primeira aventura e espero para breve ter nas minhas mãos “A Ordem das Pedras” poderei depois acabar com “O AbreTempo”. E isto pode ser uma chamada de atenção para quem seja apanhado de surpresa ao ler de rajada “Os Incontornáveis da Banda Desenhada” volume 1 e ficar com a ideia de que foi enganado.

imagem (1)
descrição: capa do álbum “Os Incontornáveis da Banda Desenhada” volume 1
editor: Edições ASA e Público
isbn: 978-989-23-1299-6

pátria

A compra desta obra seguiu como sempre um tortuoso processo mental. Quando vi o logotipo na capa pensei cá para mim que seria um livro a colocar de parte porque nunca fui muito fá do “mundo” Forgotten Realms. Muito mais tarde peguei novamente nele devido à capa e nas costas o logotipo Wizard of the Coast atordoou-me – já não via aquele logo desde os meus tempos de jogador de Magic the Gathering (ai que saudades).

Iniciada a leitura rapidamente mergulhei de cabeça no universo drow e nas suas personagens. A história é verdadeiramente viciante. E as palavras que li em algum lado de que Legolas perante os drow seria uma anedota nunca deixavam de se fazer recordar.

Em poucas páginas ficamos a conhecer o sistema sanguinário da vida em Menzoberranzan e em outras tantas assistimos ao singular nascimento de Drizzt Do’Urden. E enquanto seguimos o seu treino/crescimento sentimos que apesar do enredo estar muito bem urdido como a teia da sangrenta Lolth é nas constantes reviravoltas das intrigas das diversas casas que somos atraídos compulsivamente pelo nosso Drizzt.

Drizzt é O elfo negro que apesar de não partilhar dos instintos sangrentos, traiçoeiros (mas fascinantes) dos elfos negros me conseguiu subjugar ainda mais por esta singularidade; é magnetismo. R. A. Salvatore recomenda-se sem sobressaltos para qualquer altura.