Tag Archive for: saúde

fujam, vem aí a saúde

22 Set
22.09.2017

Após entrar no parque da cidade de Barcelos fui ultrapassado por algumas pessoas que fugiam esbaforidas, suadas, coradas. Uma chocou contra mim. Aproveitei e perguntei-lhe a razão daquela correria. ‘Ora essa, é por causa da Saúde,’ respondeu com um ar de surpresa, tresmalhado com ofensa. Olhei por cima dos ombro e vislumbrei mais pessoas a fugirem. Não vi nada parecido com a Saúde. Não obstante, com algum receio iniciei a fuga.

09 Fev
09.02.2017

I went to see the doctor today. He took my pulse and my pulse said, “Get lost, fool!” Then he took my blood pressure and my blood pressure said, “This is bloody stupid!” Then he shone a light into my eyes and my eyes said, “Too bright, you idiot!” So I asked him, “What’s the verdict, doc?” “You seem to be in rude health,” he replied.

from Facebook by Rhys Hughes

a transformação

30 Dez
30.12.2012

Hoje pela madrugada dentro estava com os pés completamente gelados e o resto do corpo a tremer que nem decrépitas bandeiras de Portugal penduradas nas varandas ao sabor do vento. Quando o frio começou a subir pelas canelas e a alastrar pelos membros inferiores temi pela saúde do meu pénis e dos meus exuberantes testículos.
Estaria a transformar-me em vampiro? Claro que no clássico vampiro que pede licença para entrar em casa e não aquele que come vegetais ou anda à luz do dia. Um dos motivos que me leva a adorar os vampiros é esta refinada educação. O vosso deus, por exemplo, está em todo o lado e nem pediu permissão para estar neste preciso momento a ler o que estou a escrever por cima dos meus ombros.
Esta ideia romântica de transformação foi afastada pela resposta da minha mais-que-tudo, após ter bocejado um arrepiado “Estou cheio de frio e a tremer. O que se passa?”. “Olha que eu estou cheia de calor.” foram as suas palavras jocosamente apunhaladas nos meus ouvidos.

Assustei-me.

Estaria a minha energia vital a ser sugada? Passados estes anos todos seria a minha companheira de cama uma real Sil? Uma parasita cibernética do planeta “estou-realmente-lixado-da-cabeça“?
“Agora é que não me safo”, sussurrei para a minha almofada.
Senti uma mão a penetrar-me nas costas, a subir até ao pescoço e a dizer “Estás cheio de febre.” A mão e corpo saiu da cama e foi para a cozinha preparar qualquer poção diabólica ao melhor estilo de chá de Santo Daime. Soube isto quando me foi oferecido um copo de líquido branco e efervescente com um irritado “toma isto e vê se me deixas dormir”. Bebi calado e bem caladinho. Não me lembro de adormecer.

Acordei. A fêmea alfa já não estava na cama. Teria sido tudo um pesadelo?

os cinco e os dois testículos

04 Fev
04.02.2010

vasectomia, fase um

Por motivos de força externa – a saúde da minha mais-que-tudo – tive de ser submetido a uma vasectomia; intervenção cirúrgica menos agressiva do que a laqueação de trompas e muito mais simples.

À semelhança de Dave, interpretado por Vince Vaughn no fraco Couples Retreat, que foi “beijado” por um tubarão e está vivo para contar a história eu faço, agora, parte de um grupo de elite – aqueles homens que voluntariamente decidiram colocar o falo, o escroto e o resto ao alcance de um bisturi!

pulseira de controlo

Não foi fácil estar todo nu e vulnerável a ser “barbeado” nas partes baixas por um enfermeiro. A única satisfação que tive nessa altura da minha travessia do deserto foi verificar que outro profissional da enfermagem desviou o olhar ao constatar o quanto bem constituído eu sou; outros poderão dizer que foi do choque por ter entrado no quarto errado e me descobrir ali deitado e nu a ser electricamente depilado – não liguemos a essas vozes maliciosas.

O bloco operatório não foi um oásis a descobrir, que bem precisava depois da travessia, mas sim um inferno. Não chegava o cirurgião, o anestesista, o assistente do cirurgião, não chegava, ainda foram precisas as duas enfermeiras. Não sei se hei-de mais alguma vez ter fantasias com enfermeiras. Fiquei, como que ligeiramente, traumatizado porque nunca pensei que o meu pénis fosse capaz de hibernar de tal forma que seria necessário uma lupa de filatelista para o descobrir.

cueca de rede modelo genérico

Fiquei com as “bolas” totalmente trucidadas que pareciam ter sido mordidas por uma enfermeira praticante de sadomasoquismo atropeladas por um camião.
O aspecto visual final era o que se vê – vestia apenas uma branca, mas elegante e voluptuosa cueca de rede modelo genérico; a listra superior em azul dava o seu devido requinte; a rede deixava ainda transparecer a franja de gaze que delicadamente aconchegava a bolsa escrotal.

Hoje já me sinto melhor.
Não “os” sinto já tão doridos – o que doí é saber que estarei +/- 10 dias de dieta sexual.

1994, o casamento

12 Out
12.10.2009

revista bride, 1994

.abertura de parênteses.
Em 1994 não tivemos a 100% a visão de George Orwell, mas o caminho para o controlo total do individuo pelo estado e pelos gigantescos grupos privados financeiros / farmacêuticos / de saúde/ de comunicação já está pavimentado.
O Big Brother é uma questão mais de oportunidade do que de tempo.
.fecho de parênteses.

Em 1994:

  • Morre Ayrton Senna após bater com o seu Williams na curva Tamburello.
  • Morre Walter Lantz, cartoonista americano criador do Pica-Pau.
  • Morre Agostinho da Silva, filósofo e poeta português.
  • Morre Kurt Cobain, músico e compositor.
  • Morre Fernanda de Castro, escritora.
  • Morre Richard Milhous Nixon, 37° presidente dos EUA.
  • Morre Henry Mancini, compositor.
  • Morre Karl Popper, filósofo.

e morre a minha liberdade individual ao casar-me com uma mulher espectacular e passados que são estes anos todos descubro nas minhas constantes arrumações a revista que contem o modelo que serviu de modelo ao seu vestido de noiva.

e prometo

09 Fev
09.02.2009

(…) e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.

União das Mãos e Consentimento

somos mesmo tones.

santa hipocrisia & inveja virtuosa

17 Dez
17.12.2008

Todos nós somos e devemos ser saudavelmente hipócritas.
Quantas vezes dizemos, “Que bebé tão lindo, fofinho.”, quando pensamos, “Puxa, mas o que é isto?”
Quantas vezes dizemos, “Não. O cabelo assim até te fica bem.”, quando pensamos, “Só esta tipa para me alegrar o dia.”

Quantas vezes dizemos, “Olha que estás mais magra”, quando pensamos, “Gorda Balofa.”. Eu, nesta parte, sou sempre sincero. São todos gordos e sinto-me perfeitamente seguro para o declarar.
Escrevi, “saudavelmente hipócritas” porque é uma questão de saúde dar a resposta adequada e esperada. É a nossa saúde que está em causa, quando somos colocadas perante aquelas perguntas de merda, porque não quero ser constantemente agredido. Mas, são situações corriqueiras. É a saudável hipocrisia.

Grave é aquela hipocrisia filha-da-puta. Aquela hipocrisia com o objectivo de prejudicar o próximo. Seriamente maldizente. Felizmente não ligo muito ao que me dizem dos outros e muito menos ao que me dizem que os outros disseram de mim. Nem funciono como boomerang. Enfim, trazer e levar recados. Infelizmente digo o que tenho a dizer de qualquer pessoa directamente; o que acarreta situações embaraçosas para elas, porque geralmente não sou contraditado. É uma merda ter alguma razão. Há contudo pessoas que sofrem com a hipocrisia maldosa. Ficam pensativas, depois perturbadas com o que lhe dizem que disseram delas ou pior transmitem a outras pessoas o que os outros disseram dos outros e delas. Humm. Complicado. As relações humanas são difíceisssssssssssss

O que adoro é a inveja. Entusiasma-me que tenham cobiça de mim. E se essas pessoas forem virtualmente religiosas e potencialmente cristãs fico então mais que arrebatado. Não é por ter um pouco de diabo em mim(?), mas sim pelo facto de ser conclusivo que a ida às missas não limpa as mentes de ideias nada cristãs.

10. Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem nada do que lhe pertence.

Fico triste (lol) porque, talvez, esteja com os meus momentos de felicidade, de bem estar, a contribuir para que alguém não atinja “um dos maiores objectivos” na vida de um católico, “a pureza de coração“. Só ficaria triste, mesmo desolado, se alguém tivesses inveja do meu corpo, digamos que, voluptuoso. Voluptuoso segundo a visão de Rubens. Porque o meu corpo é apenas para o meu deleite ou para o regalo de alguém a um preço justo e devidamente adequado ao valor de referência do mercado. Claro que a minha mulher tem um desconto de 100%. Não sou doido.

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beam me up, scotty!