Artigos

fragmento.000453

Os momentos banais constituem a vida. Eis o que ela sabia sem som. ser fidedigno, e eis o que eu aprendi, em ultima analise, naqueles anos que passámos juntos. Nada de saltos nem de quedas. Inalo os pequenos pormenores chuviscantes do passado e sei quem sou. Aquilo que dantes não sabia é agora mais claro, filtrado pelo tempo, uma experiência que não pertence a mais ninguém, nem de perto nem de longe, a ninguém, seja a quem for, jamais. Fico a vê-la a usar o rolo antiborboto para arrancar os borbotos do casaco de fazenda. Define borboto, digo a mim mesmo. Define tempo, define espaço.
Zero K de Don DeLillo (página 111)

zero k de don delillo

Livro excepcional. Agradavelmente delirante. Maravilhosamente escrito.

Apesar de a ideia não ser original a forma como vai sendo destilada é uau. A história não deixa a indiferença a vaguear. Um livro que de destaca.

E uma das personagens, o narrador, tem uma dose saudável de obsessão.

Tradução: Paulo Faria

— A catástrofe é a nossa história de embalar.
Zero K de Don DeLillo (página 70)

fragmento.000450

O quarto no longo corredor vazio. A poltrona, a cama, as paredes nuas, o teto baixo. Sentado no quarto e depois a vaguear pelos corredores, sentia-me reduzido ao meu eu mais diminuto, todas as fantasias presunçosas em torno de mim mirradas até não passarem de devaneios íntimos, porque o que sou eu neste lugar senão alguém a precisar de se defender.
Zero K de Don DeLillo (página 61)

lançamentos 07.2019 / 08.2019

O que me interessa dos lançamentos, fora os livros da colecção Terra Incógnita da Quetzal, são:

  • Autobiografia de José Luís Peixoto [Quetzal Editores]
  • Banquete no Paraíso de Donald Ray Pollock [Sextante]
  • A Era dos Muros de Tim Marshall [Desassossego]
  • Eu sou Dinamite! A vida de Friedrich Nietzsche de Sue Prideaux (apesar de editado em 04.2019 apenas soube deste hoje) [Temas e Debates]
  • O Comboio da Noite de Martin Amis [Quetzal Editores]

E estes foram os livros descobertos a ler o Jornal de Letras.

a praia dos afogados de domingo villar

A Praia dos Afogados de Domingo Villar está já aqui na pilha de leitura.

Uma manhã, o cadáver de um marinheiro é arrastado pela maré até à beira-mar de uma praia galega. Se não tivesse as mãos amarradas, Justo Castelo seria outro dos filhos do mar a encontrar a sua sepultura entre as águas, durante a faina.
Sem testemunhas nem rasto da embarcação do falecido, o inspector Leo Caldas mergulha no ambiente marinheiro da povoação, tentando esclarecer o crime entre homens e mulheres renitentes em revelar as suas suspeitas, mas que, quando decidem falar, indicam uma direcção demasiado insólita.

Sextante Editora