Tag Archive for: sherlock holmes

you

13 Jan
13.01.2020

A série de televisão You, baseada no livro de Caroline Kepnes, segue a obsessão de Joe Goldberg (Penn Badgley), gerente de uma livraria de Nova York, pela cliente Guinevere Beck (Elizabeth Lail).

Fui ver esta série motivado por um comentário positivo de S.

A série não é perturbadora, mas cómica. Vejamos:

  • temos duas personagens ocas e monótonas:
    • a personagem feminina, Guinevere Beck, é escritora, mas não escreve nada… ah exceptuando que publica toda a sua vida privada nas redes sociais
    • a personagem masculina, Joe Goldberg, não tem qualquer carisma e tira conclusões tão óbvias como se fosse um triste pastiche de Sherlock Holmes
  • a janela do apartamento de Guinevere Beck é por si só uma personagem e tanto
  • Joe Goldberg é um perseguidor de uma rapariga que vive num rés-do-chão com uma gigantesca janela sem cortinas e à frente da qual ela faz tudo – não é exibicionismo é estupidez
  • Joe Goldberg é um perseguidor que com apenas um boné consegue camuflar-se em qualquer ambiente; melhor do que um camaleão – Guinevere Beck e as amigas além de fúteis são cegas como morcegos

Tudo o que posso concluir é que única coisa positiva a retirar da série é apenas o comentário positivo de S.

lol, camouflage 5.0 – baker street

08 Out
08.10.2016

221B Baker Street, London receives mail addressed to a fictional Sherlock Holmes – ‘strange world we live in’, lol sighed as he observed the blue plaque. lol wore a suit snugged by an inverness, the head was decorated with a derby. lol was perfectly camouflaged and therefore did not understand why some passersby looked at him with staring eyes – in suspicion, almost. When lol took a pipe out from his pocket, someone shouted: ‘IT’S SHERLOCK HOLMES.’ Flashes, more flashes were being fired in his direction.

[… an excerpt …]

twisthorn bellow

02 Jun
02.06.2013

Portugal had a director who made a film to be displayed on any radio station. Wales has a writer able to write a book filled with special effects. As a reader of Twisthorn Bellow I had always the fear of being slurped into the book.

Twisthorn Bellow has wonderful characters, strange, intelligent and capable of deceive any great detective such as Sherlock Holmes or even a Sam Vimes.  However any resemblance to an Inspector Clouseau, a Jules Maigret, or a Vidocq is a sort of literary accident.

Twisthorn Bellow is full of music: simply turn any page. The book must have a headphone socket – a fault of the author.

With this book Rhys Hughes reveals the symptoms of a disease that allows him to create stories delusional, crazy, comical; he is a unusual guy I suppose.

my top 10 + 1 favorite fictional detectives

02 Jun
02.06.2013

My top list of fictional detectives:

  1. C. Auguste Dupin by Edgar Allan Poe
  2. Sherlock Holmes by Arthur Conan Doyle
  3. Nero Wolfe by Rex Stout
  4. Commissaire Maigret by Georges Simenon
  5. Feluda by Satyajit Ray
  6. Monsieur Lecoq by Émile Gaboriau
  7. Hercule Poirot by Agatha Christie
  8. Philip Marlowe by Raymond Chandler
  9. Commissario Salvo Montalbano by Andrea Camilleri
  10. Father Brown by G. K. Chesterton
  11. Samuel “Sam” Vimes by Terry Pratchett

The best mystery novel continues to be The Woman in White by Wilkie Collins.


Illustration to “The Purloined Letter” by E. A. Poe.
Source “Модный магазин” (Fashion magazine), 1864, №23 (December)

From wikipedia

há guarda-chuvas e guardas-chuvas

30 Set
30.09.2012

Odeio a chuva por me obrigar a andar com um apêndice, mas quando o guarda-chuva é um James Smith & Sons até rezo com descrença para que chova.

animais

gents resin animal heads

É uma possível prenda de anos.

os olhos de allan poe

20 Mai
20.05.2011

Quando compro um livro de um autor desconhecido é um risco não calculado – nunca sei o que vai sair dali; a capa é um factor importante porque é aquilo que nos faz pegar naquele livro em particular e não nos outros que estão ao lado (digamos que é uma manobra de acasalamento literário); a sinopse na capa é, contestavelmente, um factor importante que só se concretiza depois da fase visual de acasalamento.

O ano passado após a leitura de um livro e do registo da minha opinião, nada modesta, convenhamos é a minha, opinião, ao coloca-lo na prateleira denoto que nessa estante (a encher) em cada 10 livros 6 são da editora Saída de Emergência, os restantes dançam entre outras editoras – curioso! Nunca tinha reparado naquela simetria de logótipo.

Regresso ano de 2009, mês Junho, dia nove e recordo o meu espanto ao reler o meu comentário ao livro “A Sabedoria dos Mortos” e na altura ter enaltecido com a minha mulher este lançamento e as excelentes notas de tradução – editora Saída de Emergência.


Regresso ao ano de 2010, mês Dezembro, dia quinze e pouso uma excelente obra de steampunk “A Corte do Ar” no foi uma grande coragem editorial e um pesadelo de tradução (superado); desta feita já sabia qual a editora – Saída de Emergência – estive presente no dia do seu lançamento. Nunca é demais relembrar a obra de Philip Reeve publicada pela Editorial Presença (“Engenhos Mortíferos” (2001), “O Ouro do Predador” (2003) e “Máquinas Infernais” (2006). O quatro livro da série “A Darkling Plain”, presumo que, ainda não teve a sua edição em português).

Foi, contudo, em Agosto de 2010 que tomei a devida consciência da editora por detrás do livro que me enriqueceu as férias “O Evangelho do Enforcado”. Desde essa altura que sigo com cuidado os lançamentos desta editora e quando vou “às cegas” é agora um risco calculado – “risco calculado” é quase análogo a certeza de boas leituras com a Saída de Emergência. E isto é escrito sem menosprezar qualquer editora. Não sou pago para dizer bem, nem para maldizer – infelizmente.

E isto precede a minha opinião ao “Os Olhos de Allan Poe”

[…]

“Os Olhos de Allan Poe” (“The Pale Blue Eye” de 2006) é uma grande aposta editorial da Saída de Emergência (espero que seja ganha a nível comercial – para evitar a frase “uns compensam os outros”).

“Os Olhos de Allan Poe” é o nec plus ultra das suas obras, as lidas por mim – naturalmente (três: “Mr. Timothy”, “Fool’s Errand”), que adorava ver editadas em português. Espero que a Saída de Emergência edite, pelo menos, os seus romances mais recentes “The Black Tower” (2008) e “The School of Night” (2011) – não é pedir muito?

“Os Olhos de Allan Poe” tem tudo para ser um sucesso em Portugal: narra uma história de assassinatos tenebrosa; temos magia negra; alguns fantasmas; e tem duas personagens principais (Gus Landor e Poe) com uma densidade psicológica bem retratada que se movem num século XIX maravilhosamente pintado – local do crime: West Point; ano: 1830.

Uma das partes mais divertidas da leitura é certamente encontrar um jovem Poe com um nada saudável gosto pela bebida, mas contrabalançado pelo prazer de arrojar frases em francês. A narração é feita em dois compassos: temos a narração (quase sempre num tom intimista) de Gus Landor e os escritos bombásticos (cheios de eloquência) de Poe (o ajudante de “campo” de Gus Landor) em forma de missivas.

E enquanto Poe e Gus Landor se gladiam intelectualmente, na descoberta dos responsáveis pelos crimes, segredos mútuos vão-se revelando. Fiquei de tal forma embrenhado na história, nas personagens, que o final foi um surpresa final – aquele último gole que nos faz olhar tristemente para o copo que se encontra agora… vazio.

Edgar Allan Poe não precisa de apresentações; e no que diz respeito ao género “policial” criou a primeira aventura dos mistérios de “quarto fechado” com a aventura “The Murders in the Rue Morgue” e nesta mesma aventura “Os Crimes da Rua Morge” (Livros de Bolso Europa-América, n.º 279, 1981) os crimes são investigados pelo Detective Dupin, o pai de Sherlock Holmes. Um conto a ler ou a reler.

Recomendo vivamente “Os Olhos de Allan Poe” por tudo o que escrevi e pelo resto que cada um irá acabar de descobrir.

um imitador de sherlock holmes

31 Jul
31.07.2010

Não deve existir alguém que não tenha ouvido falar do detective Sherlock Holmes…
ainda deve existir alguém que não tenha lido as suas aventuras escritas por Conan Doyle…
as pessoas que viram o filme Sherlock Holmes interpretado por Robert Downey Jr. e realizado por Guy Ritchie deve ser maior do que as que o leram…

O que interessa, com esta pequena brincadeira inicial, é entendermos que Sherlock Holmes é uma referência universal – um ícone. E como tal é normal que outros escritores criem novas histórias nas quais Sherlock Holmes é, naturalmente, a personagem. A este tipo de história, imitação, dá-se o nome de pastiche.

Como já referi em posts anteriores só tinha lido um pastiche de Ellery Queen intitulado “Sherlock Holmes contra Jack o Estripador”, editado pelas Edições 70, na colecção Alibi, n.º 1 (1983). Mais recentemente, 2009, li “As Vitórias da Lógica” (1910) – escrito por Gustaf Adolf Bergström e o excelente livro “A Sabedoria dos Mortos” por Rodolfo Martinez.

Esta semana terminei a leitura de um, digamos, suave livro que não é um pastiche de Sherlock Holmes. Na obra “Um Imitador de Sherlock Holmes” da portuguesa Maria O’ Neill, editado pelos Livros do Brasil, colecção Vampiro n.º 668, Maio de 2003 (isbn 972-38-2654-2), a personagem principal (Visconde Silvestre) utiliza os métodos dedutivos de Sherlock Holmes para a solução dos mistérios de que é incumbida e é ajudada nessa tarefa por Pedro Montagraço. E é esta a grande diferença. Visconde Silvestre conhecedor do sucesso de Holmes decide empregar os mesmos métodos nas suas “investigações”. São histórias razoáveis que se lêem num consultório médico ou na paragem do autocarro.

Acho que o livro vale mais pela originalidade e pela época em que foi escrito.

a sabedoria dos mortos

09 Jun
09.06.2009

Várias vezes lhe disse, meu caro Watson, que quando se elimina o impossível, o que resta, por mais improvável que seja, é a verdade. Mas… o que acontece quando não se pode eliminar o impossível?

A Sabedoria dos Mortos por Rodolfo Martinez

Esta é a premissa para três histórias fantásticas de Sherlock Holmes escritas por Rodolfo Martinez.

Rodolfo Martinez não se limitou a recrear o mundo de Sherlock Holmes. Ele consegue ir muito mais longe e de forma convincente.
Como muito bem explica o tradutor português, José Manuel Lopes:

Sherlock Holmes e a Sabedoria dos Mortos, consiste na tradução fictícia de um série de três textos, do inglês para o castelhano(…) O interessante , porem, neste caso, é que o romance revela o seu ficcional palimpsesto. Quero dizer, apesar de ter sido originalmente escrito em castelhano apresenta toda uma série de marcas que nos fazem “acreditar”, à medida que vamos lendo, que se trata efectivamente de uma tradução feita a partir do inglês.

A Sabedoria dos Mortos por Rodolfo Martinez (página 253)

As primeiras duas histórias,

  • A Sabedoria dos Mortos
  • Desde a Terra Mais Além do Bosque

têm um toque de irreal e do imaginário. A primeira história é sobre o roubo do famoso e misterioso Necronomicon. Na outra aventura Sherlock Holmes enfrenta Drácula em parceria com Van Helsing e o Dr. John Seward.

“A Aventura do Assassino Fingido”, o último caso, é uma história tradicional de Sherlock Holmes.

De uma maneira geral gostei bastante do que li.

polícias e ladrões

30 Mai
30.05.2009

Lembra-te que obrigam constantemente os membros do oposto a trabalhar por elas. Não há nada a dizer contra a sua intromissão nos negócios, desde que as suas emoções ou os seus cabelos não sejam minimamente cortados. Nesse momento, há necessidade de lhes oferecer um imbecil qualquer, que arqueje ao respirar e use bigode loiro, com o aditamento de desejar cinco filhos e oferecer uma casa pré-fabricada a prestações(…)

“Polícias e Ladrões”, página 64

William Sydney Porter, mas conhecido por O. Henry é um escritor norte-americano de contos inteligentes e com finais inesperados. Com mais de 600 contos publicados O. Henry (1862-1910) teve uma vida turbulenta. Morreu a 05.06.1910 com 52 anos vítima de cirrose.

O livro que li (“Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, n.º 662) tem alguns dos seus melhores contos

  • A Retrieved Reformation (Reforma Adiada)
  • The Ransom of Red Chief (O Resgate)

e outros que são uma autêntica paródia a dois grandes detectives de papel: Monsieur Lecoq [1] e Sherlock Holmes. As suas personagens são respectivamente Tictoq e Shamrock Jolmes.
Em “Tictoq, O Grande Detective Francês” o grande detective é encarregado de descobrir o paradeiro de umas peúgas.

(…) desmascarei-o e privei-o das peúgas que calçava. Aqui as têm.
Com um gesto dramático, deposita em cima da mesa um par de peúgas consideravelmente usadas e cruza os braços sobre o peito, inclinando a cabeça para trás.

“Polícias e Ladrões”, página 108/109

N’ “As Aventuras de Shamrock Jolnes” temos autênticas deduções que fariam corar o verdadeiro mestre das deduções. Apesar de ter lido o livro em português coloco o texto respectivo em inglês, pois não consegui colocar o OCR a funcionar e não sendo muito texto para escrever é imensa a preguiça que sinto.

“Good morning, Whatsup,” he said, without turning his head. “I’m glad to notice that you’ve had your house fitted up with electric lights at last.”

“Will you please tell me,” I said, in surprise, “how you knew that? I am sure that I never mentioned the fact to any one, and the wiring was a rush order not completed until this morning.”

“Nothing easier,” said Jolnes, genially. “As you came in I caught the odor of the cigar you are smoking. I know an expensive cigar; and I know that not more than three men in New York can afford to smoke cigars and pay gas bills too at the present time. That was an easy one.

“Polícias e Ladrões”, página 108/109

Sem negar a qualidade dos 2 contos referidos no topo deste registo e de outros que fazem parte da edição Livros do Brasil o que me surpreendeu foi “Hearts and Hands” (Mãos e Corações). Quem desejar pode ler a história completa aqui. (apenas em inglês)


[1] Inspirado em Vidocq [2], que é considerado um dos primeiros grandes investigadores modernos. É-lhe apontado ter introduzido na investigação criminal a manutenção de registos, criminologia e a balística. Foi o primeiro investigador a fazer um molde em gesso de uma pegada de sapatos. Gérard Depardieu em 2001 num filme realizado por Pitof personifica Vidocq.
[2] C. Auguste Dupin, criação de Edgar Allan Poe, é considerado o primeiro detective da literatura. Teve a sua estreia “Os Crimes da Rua Morge” (1841). Dupin inspirou outras grandes criações como Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Na primeira história de Holmes (“Um Estudo em Vermelho” (1887)), o Doutor Watson compara Holmes a Dupin. Este sente-se ofendido e ataca as capacidades de Lupin e de Lecoq.
You remind me of Edgar Allen Poe’s Dupin. I had no idea that such individuals did exist outside of stories.”
Sherlock Holmes rose and lit his pipe. “No doubt you think that you are complimenting me in comparing me to Dupin,” he observed. “Now, in my opinion, Dupin was a very inferior fellow. That trick of his of breaking in on his friends’ thoughts with an apropos remark after a quarter of an hour’s silence is really very showy and superficial.[3] He had some analytical genius, no doubt; but he was by no means such a phenomenon as Poe appeared to imagine.”
“Have you read Gaboriau’s works?” I asked. “Does Lecoq come up to your idea of a detective?”
Sherlock Holmes sniffed sardonically. “Lecoq was a miserable bungler,” he said, in an angry voice; “he had only one thing to recommend him, and that was his energy. That book made me positively ill. The question was how to identify an unknown prisoner. I could have done it in twenty-four hours. Lecoq took six months or so. It might be made a text-book for detectives to teach them what to avoid.” 
[4]
[3] Em português o conto de Poe aqui referido (“Os Crimes da Rua Morge”) pode ser lido no n.º 279, pág. 13 (1981) da colecção Livros de Bolso das Publicações Europa-América.
[4] Este texto pode ser lido português no primeiro volume (pág. 30) da colecção “Aventuras de Sherlock Holmes”, editado pelo Círculo de Leitores (1982)

as vitórias da lógica

14 Mai
14.05.2009

A braseira apagara-se quase. Eu fitava olhos vagos na lívida e mesquinha chama, que uma acha, quase totalmente consumida, expectorava com intermitências prolongadas. Mentalmente, comparava aquela chama ao olhar de um moribundo, que ora se acende com débil luz da Saudade, ora se apaga com a sombria resignação dos vencidos.

página 89

Deste Sherlock Holmes em português nem sei o que dizer. Não nego o prazer que foi ler novas aventuras de Sherlock Holmes apesar de não escritas por Conan Doyle, mas no fim fiquei com uma sensação de, digamos, “boca seca”.


As Vitórias da Lógica, Gustaf Adolf Bergström // Livros do Brasil, Colecção Vampiro (n.º 658), Lisboa, 2002
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