Tag Archive for: silêncio

longe de manaus de francisco josé viegas

08 Jun
08.06.2020

Depois de iniciar uma investigação sobre a morte de um homem desconhecido encontrado num apartamento dos arredores do Porto, Jaime Ramos é levado a percorrer caminhos que o transportam entre Portugal, o Brasil e a memória de Angola. Nesse triângulo vivem personagens solitárias que desaparecem sem deixar rasto e cujas biografias tenta reconstruir a partir do nada, socorrendo-se apenas da sua imaginação. Esse percurso transportará o leitor da Beirute do século XIX até ao coração da Amazónia e à Manaus contemporânea, do Porto a São Paulo, de Luanda ao Rio de Janeiro e ao Amapá, da guerra de Angola e da Guiné aos apartamentos vazios onde são recolhidos cadáveres, memórias e silêncios. Este cruzamento de geografias e de tipos humanos provoca alucinações no próprio narrador, que ora escreve em português de Portugal, ora em português do Brasil, e no investigador Jaime Ramos, que é obrigado a inventar histórias de perdição para que o seu mundo tenha algum sentido.

Terminei, ontem, a minha segunda leitura de Francisco José Viegas e do seu Inspector Jaime Ramos e não fiquei nada desiludido.

o fim da solidão de benedict wells

20 Mai
20.05.2020

Jules Moreau tem onze anos quando os pais morrem num acidente de carro. Nessa noite, a sua infância termina. Segue-se a ida para um colégio interno, juntamente com os dois irmãos mais velhos. Pouco a pouco, os laços que os unem quebram-se. Jules isola-se, alimentando-se das suas memórias; Marty refugia-se ferozmente nos estudos; e Liz procura todas as formas de evasão possíveis para preencher o vazio.
O único consolo do protagonista advém dos momentos que passa na companhia de uma menina ruiva chamada Alva. As duas crianças lêem, ouvem música, partilham o silêncio das tardes no colégio. E nunca falam sobre si mesmas. Quinze anos mais tarde, os irmãos afastaram-se irremediavelmente uns dos outros. Jules, que continua a reviver o passado interrompido, apenas encontra alento no sonho de se tornar escritor e na ânsia de reencontrar Alva. E quando, por uma vez, tudo parece subitamente possível, uma força invisível – talvez o destino – volta a intervir.
O fim da história de Jules está ainda por acontecer.

Edições Asa

Excelente livro. Depois do rotundo falhanço do “The Last Emperox” (que nem serviu como aperitivo) nada como sentir uma escrita profunda, perturbadora e bela na ousadia como trata as relações humanas.

Aqui o autor fala do amor, da amizade, das perdas, da solidão, do silêncio, dos encontros e reencontros com uma delicadeza que transcende as páginas e toca no coração do leitor. Recomenda-se sem ressalvas.

Tradução de Paulo Rêgo

02 Dez
02.12.2019 A componente mais importante da minha satisfação era um prazer animal: o caráter longínquo do local, a grandiosidade das montanhas de cumes planos e dos penhascos rochosos, a luz do Sol e a vegetação rasteira, os camelos que mal se viam ao longe, o enorme céu, o vazio e o silêncio totais, pois as areias planas e solitárias estendiam-se a grandes distâncias em redor destas ruínas decadentes.
Viagem Por África de Paul Theroux (pág. 108)

hotel silêncio de auður ava ólafsdóttir

04 Jul
04.07.2019

Jónas Ebeneser está no limiar dos quarenta e nove anos. É um homem divorciado, heterossexual, sem relevância social ou vida sexual. E tem a compulsão de consertar tudo o que lhe aparece à frente. Tomou recentemente conhecimento de que não é o pai biológico da sua filha. Isso despedaça-o e fá-lo mergulhar numa crise profunda.
Com grande mestria, num estilo poético e finamente irónico, Ólafsdóttir mostra neste romance a capacidade de autorregeneração de um homem que redescobre um sentido para a vida através da bondade, mesmo que o faça a partir das profundezas do desespero.

Wook

Este livro, Hotel Silêncio de Auður Ava Ólafsdóttir, foi uma deliciosa descoberta. Uma história apaixonante que fala das fraquezas humanas e da nossa capacidade de superação. Um livro sobre a vida e os relacionamentos.

O livro é espectacular e não é a bebida a falar!


Tradução de José Vieira Lima

04 Jul
04.07.2019

Passado um bocado, ela vai à casa de banho e, quando volta, diz-me:
— A torneira está a pingar.
No dia seguinte, há uma mensagem na mesa da cozinha: «Fundiu-se uma lâmpada do corredor.» É esta a natureza do nosso compromisso: eu transmito-lhe sofrimento, ela atribui-me tarefas.

Hotel Silêncio de Auður Ava Ólafsdóttir (página 67)

21 Jun
21.06.2019 — Fala do Jardim da Morte, bem sei.
— Sim, a Morte. A Morte deve ser tão bela. Repousar debaixo da terra, com as ervas ondeando ao vento sobre o nosso corpo, ouvindo o silêncio em toda a volta. Não ter ontem nem amanhã! Esquecer o tempo, perdoar a vida, estar em paz! Talvez possa auxiliar-me, abrir-me as portas da Morte, porque o Amor vive em si, Miss Otis, e o Amor é mais forte do que a Morte.
O Fantasma de Canterville e Outras Histórias por Oscar Wilde (página 44)

03 Abr
03.04.2019 Ouvir o silêncio — não é um jogo de palavras. No cima de uma montanha isolada, o silêncio tinha som.
A Morte do Comendador de Haruki Murakami (página 278, vol I)

03 Abr
03.04.2019 No silêncio da floresta, tinha a sensação de que podia ouvir a passagem do tempo, a vida a passar. Uma pessoa parte, outra aparece. Um pensamento afasta-se e outro toma o seu lugar. Uma imagem despede-se e outra materializa-se. Com o acumular dos dias, também eu me desgastava e refazia. Nada permanecia parado. E o tempo perdia-se. Atrás de mim, o tempo esboroava-se em grãos de areia, que se dissolviam um após o outro. Fiquei ali sentado diante do buraco, ouvindo o som do tempo morrer.
A Morte do Comendador de Haruki Murakami (página 268, vol I)

21 Fev
21.02.2019 O telefone toca, mas ela não se dá ao trabalho de atender. O seu novo telefone, como o seu novo gravador de DVD, é uma grande chatice. Costumava sentir-se ignorada quando as pessoas não lhe telefonavam, mas agora sente-se aliviada. O seu silêncio é preferível a confrontar opções.
Sobe a Maré Negra por Margaret Drabble(páginas (página 102)

08 Nov
08.11.2017 Na presença de uma recordação estropiada, o melhor era não nos lembrarmos de nada. Por isso, ficavam em silêncio, ele a olhar para o vazio, os dois sem um antes e seguramente nenhum depois, numa harmonia perfeita de inexistência.
Shylock É o Meu Nome de Howard Jacobson (página 48)
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