Artigos

(…) o sótão estava ocupado por um homem cuja capacidade letal se limitava às moscas e cuja destreza com armas de fogo era mais suicida que homicida.
A Alternativa Wilt de Tom Sharpe

lanfeust mag

Detesto não ter tido oportunidade de arrumar atempadamente o meu adorável material de banda desenhada. Agora que tenho espaço verifico que me desapareceram muitas revistas das minhas colecções.

No caso concreto revistas Lanfeust Mag; não sei do número um, quatro e do sexto ao décimo primeiro.

/sad

não me grite!

“Não me grite!” é um livro de Quino (Joaquim Lavado) editado pela Dom Quixote na excelente colecção Humor com Humor se Paga (n.º 1) em 1987 Setembro.1985 (3ª edição).

É um livro excelente, como qualquer obra de Quino. Se já sabíamos que é possível descer para baixo e subir para cima as duas imagens que ilustram este post comprovam com facilidade que também se pode descer para cima.

não me grite!, quino

não me grite!, quino

dracula: a symphony in moonlight

Drácula obra máxima de Bram Stoker teve tantas adaptações que é difícil encontrar nessa gigante palete alguma que seja simpática (com qualidade).

dracula: a symphony in moonlight

dracula: a symphony in moonlight

Jon J. Muth na sua novela gráfica “Dracula: A Symphony In Moonlight” conseguiu ir mais longe e reinventou a história original; e dizer que é uma novela gráfica é uma redução simplista.

dracula: a symphony in moonlight

dracula: a symphony in moonlight

Jon J. Muth numa combinação de espetaculares ilustrações e textos oferece um ambiente gótico verdadeiramente perturbador.
É uma obra que vale apenas pelas lindas imagens que podem ser lidas até fora do contexto da história.

dracula: a symphony in moonlight

dracula: a symphony in moonlight

O meu exemplar foi editado pela Abril Jovem em 1990; é o número um da colecção Graphic Album.

void indigo

“Void Indigo” é uma história escrita por Steve Gerber e desenhada por Val Mayerik que foi inicialmente publicada de 1983 a 1984 pela Epic Comics.

Só tive acesso a esta história depois de Steve Gerber lhe dar uma nova perspectiva para criar uma novela gráfica.
Foi, assim, através da colecção Graphic Novel n.º 10 da editora brasileira Editora Abril, em 1989, que descobri “Void Indigo, Prelúdio de uma Vingança“, uma história sangrenta, bem desenhada, mas que tem uma última prancha totalmente anedótica.

void indigo, última prancha

void indigo, última prancha

storm

Hoje foi um dia de descobertas; duas trouxeram uma frutada surpresa a terceira revelou-se completamente inebriante.

Resolvo para já assinalar a descoberta “inebriante”. Na feira mensal de velharias? encontro por acaso, no meio de umas revistas Tintin muito maltratadas, o excelente álbum (apenas dois da colecção “Storm” desenhados por Don Lawrence foram editados em Portugal) “Storm – O Mundo das Profundezas“, edição Amigos do Livro, Editores (1981). Sim… uau!!

Fiquei a olhar para a capa, álbum como novo, apalermado por aquele reencontro que até me esqueci quando disse “levo este“, “são 5 euros” que estava sem carteira por ter vindo passear com a minha filha; ela de bicicleta e eu a pé atrás dela – queimar calorias é a ordem do dia. Claro que aquela preciosidade da adolescência não ia fugir das minhas mãos. “Preciso urgentemente que venhas ao campo da feira… e trás 5 euros“. Assim, com a ajuda da minha-mais-que-tudo aqui o tenho ao meu lado.

Mas o que tem Storm de tão especial? Para muitos nada, para mim foi uma das melhores banda desenhadas que li em puto e que só quando vi novamente o álbum me recordei disso (a memória é uma coisa lixada). Ah! e tem também uma ruiva de nome Carrots. A história trata de um astronauta , “Storm”, que acidentalmente fica perdido numa terra pós-apocalíptica.

Com apenas um álbum na mão posso dizer que os desenhos de Don Lawrence são bastante realistas captando na perfeição o mundo perdido conseguindo sem dificuldade dar verosimilhança à história de Saul Dunn.

blanche epifany

Lob e Pichard estrearam juntos em 1964 na revista Chouchou, com a personagem Tenebrax. Mas foi só em 67 que a dupla criou a nossa Blanche Epifany para a revista V-Magazine de Jean-Claude Forest, responsável pela intergalacticamente psicodélica Barbarella. O contraponto não poderia ser mais oportuno: enquanto uma se aventura intrepidamente pelos espaços afora, desafiando a lei da gravidade, a outra se defendia timidamente dos que desafiavam a gravidade da lei. Nada mais pop, nada mais atrevido: o melhor dos anos 60.

Pichard é um especialista em mulheres provocantes. Junto com Wolinski, criou a inesquecível Paulette, musa definitiva do underground. Depois, deu vida a Caroline Cholera e a Condessa Vermelha (Drácula de saias).

Blanche, a filha deserdada da Belle Epoque, desfila, seminua, dos becos escuros da cidade-luz aos palácios ensolarados das Arábias, sempre defendendo sua infalível virgindade, numa fidelíssima reconstrução da época, onde não foi esquecido um só extravagante ornamento Art-Nouveau. E,como observa Jean-Pierre Dionnet,da revista Metal Hurlant, Lob “caçoa gentilmente da literatura popular da época, de seus costumes, seus bons sentimentos e inverossimilhanças, mas sem o menor desprezo – talvez até com certa dose de nostalgia…

texto de Ana Jover na edição brasileira

prancha

prancha

Com desenhos de Georges Pichard e argumento de Jacques Lob “Blanche Epifany” é uma história provocante e surrealista; com muita ironia.

Graphic Novel #19 // Editora Abril Jovem em 1990

silêncio

O “Silêncio” de Didier Comès foi outro amor à primeira vista.
Corria o ano de 1987 quando adquiri a edição da Bertrand de Novembro de 1983.

silêncio

silêncio

Em Portugal e salvo erro meu só foi editado deste artista o álbum “Silêncio”. Os outros trabalhos de Comès foram-me dados a conhecer através da, minha compra mensal (religiosa) até ao seu cancelamento, (À Suivre):

  • Eva (iniciou no número 72)
  • L’Arbre-Cœur (iniciou no número 118)
  • Iris (iniciou no número 153)
  • La Maison où rêvent les arbres (iniciou no número 202)

É outro álbum que trago directamente do sótão

don rosa

Don Rosa visitou o nosso país entre 26 de Setembro e 1 de Outubro de 1997, aquando do IX Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto, realizado no Mercado Ferreira Borges – nessa altura vi em carne em osso Don Rosa e obtive uma assinatura numa capa do álbum de uma das aventuras mais emblemáticas deste artista.

Mas quem é Don Rosa?

Keno Don Hugo Rosa, known simply as Don Rosa, (born June 29, 1951) is an American comic book writer and illustrator known for his stories about Scrooge McDuck, Donald Duck and other characters created by Carl Barks for Disney comics, such as The Life and Times of Scrooge McDuck.

from wikipedia

don rosa

don rosa

Outro álbum directamente do sótão

Não estejamos à espera: enovelemos toda a nossa força e toda a nossa doçura numa única esfera, e pelo nosso prazer forcemos duramente os portões de ferro da vida, que abriremos amplamente. Não podemos obrigar o nosso Sol a quieto permanecer, mas está ao nosso alcance fazê-lo correr.
Os Impostores por Alfred Bester

Digam que não existe poesia na ficção cientifica? Digam-me?