Tag Archive for: televisão

de lado – 0064

14 Nov
14.11.2017

a aturar o canal panda. a filha faz desenhos. vê televisão. sempre foi um sistema operativo multi-tarefa.

trocas!

04 Dez
04.12.2012

y. as queixas; a pergunta; a solução?
– Só trabalho e mais trabalho. São os filhos, a casa, a cozinha, o cozinhar, dar os remédios. Ao menos os homens chegam a casa e só vêm o sofá, a televisão. Só lhes falta um qualquer bobi levar-lhes as pantufas, o jornal e a cerveja. Que ódio. Quem me dera às vezes ser homem. Do que é que eles se podem queixar?

x. a queixa; que simplicidade!
– Apenas nos queixamos por as mulheres desejarem ser homens.

lapdance 1.00

31 Jan
31.01.2012

LapDance encontrava-se sentado no seu reluzente sofá de couro, nádegas nuas placidamente pousadas numa toalha do Neco – detestava ter as nádegas coladas ao couro. Para bem da verdade LapDance estava praticamente nu, exceptuando ainda ter colado ao corpo um farrapo, que com esforço alguém poderia dizer ser uma velha camisola do clã benfiquista e que era uma segunda pele, a desbotada estampagem tornava os olhos da águia horrivelmente tristes; meias rotas nos hálux por unhas grossas, afinadas que teimavam em rasgar a malha, completavam a parca indumentária.

De perna direita ligeiramente esticada sobre o sofá, a outra pousava na alcatifa pintada por imensos invólucros vazios de Mon Chéri, brincava com uma espinha que no testículo esquerdo teimava em florescer sazonalmente, sempre no mesmo local. Dizia vaidoso a si próprio que tinha, devido a esta idiossincrasia genital, um testículo dominante.

Olhos sorumbáticos pasmavam-se com as imagens do sétimo segmento do Fantasia 2000. Ao som da marcha número três de Edward Elgar iniciou com pompa e circunstância uma massagem de descompressão a custo zero. Raramente precisava de realizar esse trabalho manual, contudo quando o fazia era sempre à velocidade vertiginosa e inconstante de um caracol. De muitas decisões que tomou a de ter um orgasmo diário não era esquecida. E como os engates de hoje não se tinham transformado em amantes (a feromona do desespero afastava compulsivamente o sexo feminino); e como o reduzido encaixe de capital mensal não lhe permitiam pensar em recorrer a uma profissional (já sabia por experiência que não saindo de casa não colhia dinheiro) aí se encontrava com o modo autodidacta de satisfação ON.

Este mês sentiu-se simultaneamente optimista e preguiçoso. Perante a indecisão da escolha, optimista ou preguiçoso, o ócio de ermitão tomava sempre as rédeas. Quando a confiança venceu a disputa o último dia do mês estava ali ao virar da esquina.

O telefone tocou, desviando a sua atenção de um pénis ainda indolente que lhe recordou uma alheira mal confeccionada. Atendeu a chamada em alta voz, mas não disse nada. Limitou-se a esperar.
‘Lap estás aí?’
‘Diz coisas!’
Quando ouviu, ‘Preciso de um favor teu!’, já estava de pé junto ao móvel da televisão a beber um gole de vinho do Porto de lavrador on the rocks. Não respondeu. Olhou para um pacote ainda com um triste Mon Chéri. Decidiu, desta vez, não misturar os sabores.
‘Lap estás aí?’
‘Estou e não sei se te posso ajudar. É que estou com uma tarefa em mãos.’ Animada pela conversa ou pelo ardor frio do álcool a alheira começou a enrijar-se.
‘Ainda não disse nada e já te estás a por de fora? Foda-se!’ Qualquer obscenidade dita pela boca da Nectarina, nome com que baptizou Catarina, gerente da casa de multi-serviços Bolo-Rei, soava-lhe tão sensual.
‘Tens razão, Atira.’ LapDance sabia que não podia recusar o pedido qualquer que ele fosse. Devia-lhe muitos favores, mas gostava de mostrar que estava no controlo da situação – até quando ficava por baixo. Admirava o facto de ela nunca lhe ter exigido a cobrança dos serviços prestados, apesar de não precisar de o fazer; LapDance era um bobi que não ferrava uma mão que lhe dava muito de comer.
‘Preciso que fiques à porta do clube. O Big enviou-me um sms a dizer que tinha de resolver umas questões e hoje tenho a sensação que posso ter chatices. Conto contigo?’ Estranhou o Big ter questões. O Big não tinha problemas a resolver, gerava problemas aos outros nos quais a solução de 1+1 nunca era igual a dois – Big igual mestre do caos. Se fosse professor só utilizaria a cor vermelha.
‘Estou de saída, mas desta vez pagas em géneros.’ Já estava no quarto a terminar de vestir o seu fato Alpinestars preto e ainda ouvia a cadeia balanceada de palavrões a sair em resposta do alta voz. Terminou de calçar as botas, pegou nas luvas e enfiou o seu capacete Nexx XR1R. Ali estava LapDance frente ao espelho do roupeiro: uma estrela em brilhante negro.

Foi com as palavras posso ter chatices a ruminar que arrancou ansioso na sua Honda CBR 600 F equipada com uma câmara GoPro HD Hero2. Se o top speed real da mota era de 260 km/h o mostrador queimava sem soluços os 280 km/h.

[em continuação…]

the boondock saints & II

27 Jun
27.06.2010

A primeira vez que vi o filme “The Boondock Saints” (1999), e apenas o final, foi na RTP2 há bué de tempo.
Como o filme não fazia parte do stock de qualquer vídeo clube de Barcelos acabou por ser a minha primeira compra na Amazon.com. Quando o recebi foi com ansiedade que o coloquei no meu ex-DVD Grundig e puff! surgiu no ecrã da televisão uma mensagem muito engraçada “Zona errada”???? ah, mas o que é isto!!
Pesquisei e fiquei a saber que os DVDs são lançados por zonas. O meu ex-DVD só lia zona 2 e o DVD da Lions Gate Films Inc (2000) é zona 1? – frustração da grande, enorme gigantesca!

Pesquisando na www lá descobri um código que desbloqueava o leitor para ler outras zonas. Assim, passados uns dias, vi, finalmente, o filme. É um filme de acção com um argumento muito inteligente e com actuações perfeitas.

The Boondock Saints II (2009) deu-me alguma diversão e bastante desilusão. Não me arrependo da compra, mas esperava que passados 10 anos me fosse apresentada outra “coisa” verdadeiramente sumarenta. Bem… outros filmes virão.

já vou

07 Set
07.09.2009

Já = Neste instante, agora. imediatamente, sem demora, no mesmo instante. (ver priberam)

O meu filho, talvez por causa dos seus 11 anos, ainda não abraçou a filosofia do “já”. O “já” para ele é quando for; quando tiver de ser. O “já” dele ocorre essencialmente depois de tudo; depois da televisão, depois do wow, depois do guitar hero. E, com algum cansaço meu, poderia verificar-se nunca.

– Vai já lavar os dentes.
– Vou já.
– Já lavaste os dentes? Já vou, pai.

Aqui o “já” significa quebrar o tempo. É um “já” à Matrix. É um “já” “bullet time”. Este “já” demoraaaaaaaa bué e como tal é explosivamente enervante. É um “já” criador de cabelos brancos e de um violento e ruidoso suspiro.

Agora que escrevo isto já estou melhor. Até quando?

os pormenores

06 Mai
06.05.2009

Quando os pormenores originam mais de 150 palavras.[1]

A minha tentativa de agrafar duas folhas de papel foi um fracasso. Não pela falta de agrafos, mas pela impetuosa decisão do meu indicador se interpor entre as folhas e o viperino agrafo.

Amaldiçoei o inanimado agrafo e fui à casa de banho refrescar a ferida com água corrente. Limpei as mãos com um papel de limpeza de mãos e a pedido da água fresca a bexiga pediu o seu esvaziamento. Atirei com extrema diligência a folha para o interior da sanita e vi-a flutuar. Peguei no meu falo e disparei

chegado aqui reparei no facto

  • daquele som ruidoso da urina estar alegremente abafado
  • os pingos saudavelmente amarelos não se erguiam assustadoramente

e lembrei-me que poderia ser um técnica válida para enganar o sono mais que leve da minha cônjuge quando a teimosia do comando da televisão fizer com que a noite na sala de estar se arraste para horas pouco recomendáveis a um bonus pater familiae e for necessária uma deslocação à casa-de-banho. Sem esquecer que posso cronometrar o tempo que demora a total submersão do papel através da movimentação cuidada da minha mangueira fálica.


[1] podia ser sem sombra de dúvida o título de dum capítulo de uma qualquer obra de Walter Scott.

benfica tv??

11 Dez
11.12.2008

A minha filha gosta de ver o canal Panda e Disney. Ontem ligei a powerbox da Clix para a entreter enquanto preparava o jantar. [1]
Por lapso, porque não pode haver outro motivo, digitei o número 30 e surpresa desgraçada. O canal Benfica TV, ainda não activo, só para 2009, explodiu-me nas retinas. Sem aviso prévio. Sem autorização expressa. Mudei imediatamente de canal. Mas temendo o pior virei-me para a minha filha. Ela estava, contudo, calma. Alegre. Sem alterações visíveis. Igual a si mesma. Fiquei, naturalmente, leve e sossegado. Foi apenas um triste acontecimento sem acidentes.

Claro, que o canal já está bloqueado. Gosto demasiado da minha família para correr riscos.

[1] Quando a minha mulher deixa ao meu encargo o jantar fico bastante satisfeito pela confiança que em mim é depositada. E devo dizer que nunca falhei em deixar todos satisfeitos. Desta feita telefonei à Pizzaria Divinal que já faz entregas ao domicilio. A pizza quatro estações foi a escolha.

parou

13 Out
13.10.2008

Hoje as funções corporais do meu corpo congelaram.
Estava no bar a trincar um pão com manteiga e a beber um copo de leite quando alguém muda de canal e sou invadido pelos sons das festividades de Fátima.

Congelei por um 1 segundo. Estou melhor, mas ainda sinto-me como que muito mal.

invasão

13 Mar
13.03.2008

– Não é só Beau que está diferente – continuou Cassy. – O reitor Partridge e a mulher também, e ouvi falar de outras pessoas. Acho que se pega, seja o que for. E também acho que deve ter a ver com essa gripe que anda aí.

Invasão por Robin Cook

Este livro não é nada de especial. Recordei-me deste facto após o ter novamente folheado para ver se a série Invasion em exibição, salvo erro, no Canal 2, e cancelada pela cadeia de televisão ABC em 2006, ia “buscar” algumas ideias ao livro. Mas não.
O livro publicado em 1997 e que já ficava aquém da obra The Body Snatchers é terreno pouco fértil de ideias aproveitáveis. E se o livro The Body Snatchers é interessante o filme de Oliver Hirschbiegel, nem por isso.

Robin Cook, Invasão // título original: Invasion // editor: Círculo de Leitores, Maio de 1998 // isbn: 972-42-1806-6

doeu?

18 Jul
18.07.2007

Na segunda-feira o meu filhote convidou um amigo igualmente fã de wrestling para jantar. Tendo em conta a regra de ouro em que ninguém pode jogar xbox logo após o jantar, fomos, mesmo assim, condescendes e deixamos a televisão ligada na Sic Radical. O z. explicou-me que apesar de a maioria dos combates serem a fingir há alguns que não o são.
— Sabe pai do Luís… há combates em que eles tomam medicamentos para não terem dor e esses combates são a sério.
— Se se atirarem de um prédio abaixo nem morrem… — continuava z. com a sua explicação.
Depois parou por uns momentos a pensar na última frase e emendou-se:
— Bem… morrer morrem, mas não sentem dor…

© 1999.2019 porta VIII. todos os direitos reservados. alimentado pelo wordpress | alojamento por oitava esfera
beam me up, scotty!