Tag Archive for: tempo

17 Out
17.10.2019 Quanto a mim, adoro o avião, que aguarda o seu Marinetti ou o seu poeta futurista antifascista, pois o avião induz uma outra metafísica, contribui para uma nova perceção do tempo e do espaço. Antes dele, estas formas a priori da sensibilidade kantiana deduziam-se fisicamente, hoje constatam-se experimentalmente: o tempo é espaço, velocidade, deslocação, é a translação num espaço intermédio, bem como uma perceção corporal e subjetiva, uma sensação individual e pessoal. Não há tempo absoluto, nem uma ideia do tempo face à eternidade ou ao movimento, mas apenas a pura consciência de si apreendida em durações variáveis.
Teoria da Viagem. Uma Poética da Geografia de Michel Onfray (página 67)

10 Abr
10.04.2019 O velho responde inclinando levemente a cabeça. Com as lentas mãos desdobra o lenço e limpa o suor da testa. O tempo enrosca-se aos seus pés como um cachorro vadio.
Fronteiras Perdidas por José Eduardo Agualusa (página 49)

Lindo.

03 Abr
03.04.2019 Ouvir o silêncio – não é um jogo de palavras. No cima de uma montanha isolada, o silêncio tinha som.
A Morte do Comendador de Haruki Murakami (página 278, vol I)

03 Abr
03.04.2019 No silêncio da floresta, tinha a sensação de que podia ouvir a passagem do tempo, a vida a passar. Uma pessoa parte, outra aparece. Um pensamento afasta-se e outro toma o seu lugar. Uma imagem despede-se e outra materializa-se. Com o acumular dos dias, também eu me desgastava e refazia. Nada permanecia parado. E o tempo perdia-se. Atrás de mim, o tempo esboroava-se em grãos de areia, que se dissolviam um após o outro. Fiquei ali sentado diante do buraco, ouvindo o som do tempo morrer.
A Morte do Comendador de Haruki Murakami (página 268, vol I)

os adágios perdidos

11 Mar
11.03.2019

Toda a gente conhece este adágio:

Sol e chuva casamento da viúva.

Mas o que pretendo hoje é revelar em primeiro mão, depois de imensa pesquisa, os seguintes adágios até hoje perdidos e desconhecidos.

  • Sol e nevoeiro casamento o ano inteiro.
  • Sol e trovoada casamento da enjoada.
  • Sol e vento casamento como experimento.
  • Sol com um chuveiro casamento do paneleiro.
  • Sol e granizo casamento sem siso.

O que é importante reter de todos os adágios é que perante o paradoxo do sol acompanhado por outro fenómeno meteorológico é exigido um adágio absurdo.

Verdadeiras pérolas de sabedoria popular.

19 Nov
19.11.2018 O céu sobre a sua cidade tinha ficado demasiado poluído para que fosse possível observar as estrelas. Mas em noites estreladas, após um dia de chuva, o pai de Saeed puxava, por vezes, do telescópio e a família bebia chá verde na varanda, sentindo uma agradável brisa, e observava, à vez, objetos cuja luz, muitas vezes, fora emitida antes de qualquer um destes três observadores ter nascido – luz de outros séculos que só agora chegava à Terra. O pai de Saeed chamava a isto viagem no tempo.
Passagem Para o Ocidente de Mohsin Hamid (páginas 19 e 20)

de 1999 até hoje

01 Jun
01.06.2018

Sim, estou a tentar não perder algumas das coisas (fotos, leituras, citações, acontecimentos) que fui registando desde 1999 no mundo virtual.

Será ao melhor estilo cápsula temporal.

26 Abr
26.04.2018 No que diz respeito à rapariga com os quatro dedos na mão esquerda, nunca mais lhe pus a vista em cima. De regresso à minha cidade natal, fiquei a saber que deixara de trabalhar na loja de discos e abandonara o apartamento em que vivia. Desapareceu sem deixar rasto, levada pelo fluxo do tempo no meio de um mar de gente.
Ouve a Canção do Vento & Flíper de Haruki Murakami (página 135)

wow mounts

18 Jan
18.01.2018

A recuperar o tempo perdido(?) tenho conseguido com calma completar alguns achivements que recompensam mounts. Acima de tudo tenho me divertido.

A mount mais agradável é a oferecida pelo achivement Glory of the Siege of Ogrimmar Raider – que utilizo, actualmente, como a minha preferida: Spawn of Galakras

06 Nov
06.11.2017 Paris é uma cidade de que se poderia falar no plural, tal como os gregos falavam de Atenas, porque há muitas parises e a dos estrangeiros só superficialmente tem algo em comum com a Paris dos parisienses. O estrangeiro que atravessa Paris de automóvel e vai de museu em museu não suspeita sequer da presença de um mundo que lhe passa ao lado sem que ele o veja. A não ser que se tenha perdido realmente tempo numa cidade, ninguém poderá considerar que a conhece bem. A alma de uma grande cidade não se deixa apreender facilmente; é preciso, para se comunicar com ela, termo-nos aborrecido, termos de alguma modo sofrido nos lugares que a circunscrevem. Seja quem for, pode, sem dúvida, munir-se de um guia e constatar a presença de todos os monumentos, mas dentro dos próprios limites da cidade de Paris existe uma outra cidade de tão difícil acesso como foi difícil outrora o acesso a Timbuctu.
Paris de Julien Green (página 39)
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