Tag Archive for: terror

22 Abr
22.04.2019 O terror, que só terminaria vinte e oito anos depois (se é que terminou), começou, tanto quanto sei ou consigo saber, com um barco feito de uma folha de jornal a flutuar por uma valeta cheia de água da chuva.
A Coisa por Stephen King (página 13, vol. I)

E assim começou uma das obras maiores de Stephen King.

a história de lisey por stephen king

20 Fev
20.02.2019

Adorei esta história de terror psicológico. Uma obra de grande qualidade de Stephen King; aqui no seu melhor.

Um excerto do livro já tinha sido publicado em 2004 com o título “Lisey and the Madman” na antologia McSweeney’s Enchanted Chamber of Astonishing Stories e foi nomeada para o prémio Bram Stoker.

A História de Lisey foi nomeada em 2007 para o World Fantasy Award.

The genesis for Lisey’s Story was an incident in June 1999 in which King was hit by a van in Lovell, Maine, and seriously injured; while he was in the hospital, his wife Tabitha decided to redesign his studio. Coming home from the hospital and seeing his books and belongings in boxes, King saw an image of what his studio would look like after his death.

13 Jan
13.01.2019 A casa era vil. Estremeceu e pensou, com as palavras a fluírem livremente na sua mente: Hill House é vil, é doentia; vai-te embora daqui já.
A Maldição de Hill House de Shirley Jackson (página 32)

às cegas de josh malerman

09 Jul
09.07.2018
às cegas

Num mundo pós-apocalítico tenso e aterrorizante que explora a essência do medo, uma mulher, com duas crianças, decide fugir, sonhando com uma vida em segurança. Mas durante a viagem, o perigo está à espreita: basta uma decisão errada e eles morrerão. Cinco anos depois de a epidemia ter começado, os sobreviventes ainda se escondem em abrigos, protegidos atrás de portas trancadas e janelas tapadas.

Informação da Top Seller

Apontamento negativo: traduzir “ Bird Box” para “Às Cegas” é esquisito. Um livro que se lê muito bem, que consegue transmitir sem problemas o terror psicológico – delirante!

Num mundo pós-apocalíptico em autor não se preocupa, e bem, em explicar as causas da “epidemia”, a psicose das personagens, as suas angústias, as suas motivações estão bem estruturadas. 

A história convence. O final foi, digamos, pouco orgásmico.

a head full of ghosts by paul tremblay

20 Fev
20.02.2017

The lives of the Barretts, a normal suburban New England family, are torn apart when fourteen-year-old Marjorie begins to display signs of acute schizophrenia.

To her parents’ despair, the doctors are unable to stop Marjorie’s descent into madness. As their stable home devolves into a house of horrors, they reluctantly turn to a local Catholic priest for help. Father Wanderly suggests an exorcism; he believes the vulnerable teenager is the victim of demonic possession. He also contacts a production company that is eager to document the Barretts’ plight. With John, Marjorie’s father, out of work for more than a year and the medical bills looming, the family agrees to be filmed, and soon find themselves the unwitting stars of The Possession, a hit reality television show. When events in the Barrett household explode in tragedy, the show and the shocking incidents it captures become the stuff of urban legend.

Fifteen years later, a bestselling writer interviews Marjorie’s younger sister, Merry. As she recalls those long ago events that took place when she was just eight years old, long-buried secrets and painful memories that clash with what was broadcast on television begin to surface—and a mind-bending tale of psychological horror is unleashed, raising vexing questions about memory and reality, science and religion, and the very nature of evil.

William Morrow Paperbacks

Chegou a altura para pegar neste livro e começar a sua leitura – delicadamente. A compra foi motivada por boas recomendações.

quando?

31 Out
31.10.2016

Quando é possível um casal de namorados comungar de um saudável e bufalino traque? Ou seja e visto isto, apenas do lado masculino, quando pode o macho dar um sonoro traque (vulgo pólvora seca) ou emitir um traque silencioso (mais estilo ataque terrorista)? E para que se saiba do que estou a falar o traque é segundo o dicionário online (Priberam) a “Ventosidade que sai do intestino pelo ânus” ou para os mais lentos aquilo que vulgarmente se apelida de peido. Ou será que só casamento é que justifica a comunhão do peido? ou nem o casamento? ou será que é apenas quando o macho namorado/marido partilhando já de uma relação carnal – tipo sexo puro, mas duro – pode exibir os seus dotes e peidar-se sem sobressaltos assinalando até com esse acto que terminou o seu serviço de amante e que deseja dormir até ultrapassar o doce período refractário? ou nem com o sexo o traque está autorizado na relação? Terá o amante sempre de levantar-se da cama, aconchegante, do sofá e verter o(s) peido(s) na solidão do quarto de banho? E se, academicamente falando, como hipótese remota, o macho estiver a conduzir ou a ser conduzido a 140km à hora e urgir a necessidade de arremessar algum vento pelo ânus, ainda não o sabe se sonoramente ou silenciosamente, mas claro que com apenas dois ocupantes não há a quem mais atribuir a culpa, pode-o fazer? ou tem de aguentar, apertando as nádegas em sofrimento, correndo o risco de causar um acidente, se estiver a conduzir, pois estará distraído com uma premente dor abdominal, até à próxima estação de serviço? É aceitável nesta situação de condutor a emissão de um peido ou vários? Porque se estiver no lugar do morto, mais sofrimento não corre do que estar a ser conduzido por uma mulher – pode, pois, unir sem problemas as musculadas, como devem ser, nádegas e esperar pela estação de serviço que se aproxima subjectivamente de forma lenta, mas que se aproxima mesmo assim. E se, remotamente, por qualquer motivo incompreensivelmente válido, os amantes estiverem numa de coitus interruptus e nesse hercúleo esforço o macho peidar-se, é este traque aceitável? Deve o macho ser penalizado pela parceira por uma ventosidade não premeditada? Não será o traque o indicador de que o casal está mais liberto de inibições e que alcançou outro patamar de intimidade? Intimidade que tem muitos degraus e nuances. Não será motivo de orgulho para a mulher quando o macho se levanta pela manhã, coça os tomates e em cada passo cambaleante até ao quarto de banho exprimir a sua felicidade, por ser bafejado por mais um dia de trabalho, de vida, de alegria, de sentir na sua alma o que é ser português, através de uma rajada metódica, equilibrada, cadenciada, sonora de peidos – uma sinfonia zen à rouxinol português?

É um assunto complexo.

Há quem defenda que o traque enquanto função corporal é um acto normal e deve ser até acarinhado pela possibilidade de suavizar ambientes pesados com as risadas, com os trejeitos cómicos de quem fica desnorteado pelo tradicional cheiro português a nabiças, mas altamente concentrado.

Para os SIM o traque deveria ser usado nos meios sociais como símbolo de altivo status e servir para competições: o peido mais sonoro, o mais longo, o mais quimicamente mortal, etc… Contudo há pessoas que entendem superiormente, digo eu, na minha natural modéstia, que o peido é um acto biológico sim, mas individual e que nunca deve ser partilhado.

Para os NÃO o peido tem de ser dado num completo solipsismo social. É o ostracismo do traque fechado tal queijo numa redoma de vidro. Existe, contudo, como muito bem apontou um amigo meu, quando lhe colei algumas frases desta crónica?, uma situação rara, como um caracol veloz, em que o peido pode fazer parte de uma relação amorosa duradoura. No acontecimento, raro pois, da mulher abrir o ânus ao peido é o mesmo que dar a chave de ouro da cidade dos peidos ao macho e a partir daqui é uma Sodoma e Gomorra. É o mesmo que biblicamente dizer “venham a mim os peidos“!

É claro que numa relação fugaz o peido até serve em 49,3% dos casos como desculpa barata ao rompimento, sem necessidade de se recorrer a um jantar para explicar à miúda o inexplicável; que já estamos noutra onda e que ela não tem lugar na prancha. Nestes casos um traque ou até dois, seguido de um pedido de desculpa enquanto colocamos o indicador na boca, mordiscamos a unha e expelimos outro peido, agora, este indesculpável é remédio santo para quebrar qualquer namoro. Na pior das hipóteses a miúda relevando-se uma patetoide até acha piada à nossa desenvoltura corporal e decide contribuir com peidos próprios à festa. Perante isto basta meter o dedo no nariz tirar um bom macaco, provar a sua consistência suavemente com a língua e oferecer como tributo à nossa ex-namorada. Iremos ser chamados de “broncos estúpidos”, o que não deixa de ser verdade, apesar de ela não precisar de usar dois adjectivos com o mesmo significado, mas é compreensível tendo em conta o choque olfactivo que acabou de sofrer. Poupamos 50 euros no jantar e estamos prontos para outras aventuras.

Se apesar disto tudo a miúda não arredou pé estamos perante uma deusa e o melhor é levar a relação a outro degrau.

Depois de 888 palavras a dúvida persiste na minha mente. Deve o peido ser valorizado ou punido socialmente?

Outras divagações sobre o tema poderão ser tratadas noutra altura.

terror tales of london edited by paul finch

07 Jun
07.06.2015

A real-time review by Paulo Brito.

The city of London – whose gold-paved streets are lost in choking fog and echo to the trundling of plague-carts, whose twisting back alleys ring to cries of “Murder!”, whose awful tower is stained with the blood of princes and paupers alike.
The night stalker of Hammersmith
The brutal butchery of Holborn
The depraved spirit of Sydenham
The fallen angel of Dalston
The murder den of Notting Hill
The haunted sewer of Bermondsey
The red-eyed ghoul of Highgate
And many more chilling tales from Adam Nevill, Mark Morris, Christopher Fowler, Nina Allen, Nicholas Royle, and other award-winning masters and mistresses of the macabre.

 

Terror Tales of London edited by Paul Finch” it was published by Gray Friar Press.

This is will be my fourth real-time review thanks to Des Lewis.

shy heahrug

08 Fev
08.02.2014

Just submitted a drabble. The title: “Shy Heahrug”.

For the record “Shy Heahrug” is a anagram with the words Rhys Hughes. More terror than this I can’t imagine.

09 Fev
09.02.2012

(…) De certo modo, todos os deuses das velhas religiões eram imperfeitos, tendo em conta que os seus atributos eram apenas os atributos humanos ampliados. O Deus do velho testamento, por exemplo, exigia uma submissão humilde e sacrifícios e tinha ciúmes dos outros deuses. Os deuses gregos tinham ataques de amuo e querelas de família e eram tão imperfeitos como os mortais…
– Não – interrompi – Não estou a pensar num deus cuja imperfeição é fruto de candura dos seus criadores humanos, mas um deus cuja imperfeição represente a sua característica essencial: um deus limitado na sua omnisciência e poder, falível, incapaz de prever as consequências dos seus actos e criando coisas que conduzem ao terror. Ele é um Deus… doente, cujas ambições excedem os seus poderes e que, a princípio, não realiza esse facto. Um deus que criou os relógios, mas não o tempo de que estes são a medida. Criou sistemas e mecanismos que serviam fins específicos, mas agora ultrapassou-os e traiu-os. E criou a eternidade, que deveria ser a medida do seu poder e que afinal é a medida da sua infinita derrota.

Solaris por Stanislaw Lem

lisboa triunfante

09 Abr
09.04.2011

O homem erra quando afirma ou nega. Destrói quando edifica sobre ruínas que revolve para abrir os alicerces. E, surpreendentemente, sem querer saber da presença do homem… o mundo existe!

palavras de Valadares, página 318

O ano passado (Agosto.2010) estava a relaxar numa quinta (Quinta de Gatão) perto de Felgueiras como o resto da família quando certo dia (14.08) o meu filho (a reboque da irmã) sentiu saudades do sabor gourmetde um Mac; deslocamos-nos a Felgueiras para esse petisco tão regional; sentado na esplanada entre duas trincadelas convenceu a irmã a visitar a Fnac no NorteShopping que ao melhor estilo moscardo nos picou (leia-se pai e mãe). Na Fnac os meus olhos que passeavam sem destino por entre paletes de livros pararam numa obra com um título sugestivo “O Evangelho do Enforcado” de David Soares. Foi a minha primeira colisão com David Soares.

Estas primeiras palavras têm o propósito de explicar que nunca se descobre um escritor fora do tempo; tal acontece quando uma série circunstâncias (das mais imagináveis) nos levam ao seu encontro.

[…]

O que é “Lisboa Triunfante”? Acima de tudo uma odisseia da imaginação (até de investigação etnográfica); e sem qualquer embaraço é uma obra com uma linguagem hipnótica excruciante através da qual duas figuras se gladiam desde tempos memoriais.

A qualidade narrativa do escritor (e)leva-nos, sem qualquer dificuldade, a observar Lisboa de cima como se a tivéssemos colocado entre uma lâmina e uma lamela tal é a qualidade com que a história da cidade é despejada, pintalgada aqui e ali de sangue, nas páginas que sofregamente fui lendo; são páginas repletas de palavras com têmpera. Os acontecimentos vão-se desenrolando com uma dureza cruel e flexível; e as personagens, até aquelas de índole moral questionável, são vigorosas, íntegras nos princípios que defendem independentemente destes nos parecerem dúbios, mesquinhos, sanguinários.

Por isso nos acontecimentos narrados vejo-me ali ao lado da populaça a comer umas favas fritas enquanto assisto ao espectáculo da “queima dos vivos” – bendita máquina do Dr. Moloch aka David Soares; noutros acontecimentos estou a flutuar pelo ar e a observar em tempo real a corrida tresloucada do “elefante aterrorizado”. Por isso, ainda hoje, tenho a quase certeza de que David Soares é um alien que manipulou sub-repticiamente a história de Lisboa e a vida de alguns dos seus habitantes, não apenas para seu bel-prazer, mas igualmente para nos oferecer uma narração das mudanças crónicas que a sua manipulação originou.

E como se o caldo já não estivesse devidamente recheado David Soares ainda nós vai enchendo a panela com mais especiarias. São estes pequenos e constantes condimentos que tornam a leitura ainda mais enriquecedora; é o caso de um Pessoa que se vislumbra poeticamente numa livraria que eu gostaria, também, de visitar.

É um romance de grande fôlego que se deve ler pausadamente; acompanhado por uma delicada música ambiente e por um pujante Dry Martini – é uma forma, entre muitas, de ler “Lisboa Triunfante”.

“Lisboa Triunfante” está dividida, no que o escritor chama carinhosamente de capítulos, mas que sei serem painéis e não é coincidência serem seis; o nome “epílogo” não deve ser contabilizado – está lá, fundamentalmente, para despistar.

Agora que encostei (aconchegado) o “Lisboa Triunfante” ao “Evangelho do Enforcado” sinto-me na obrigação de evangelizar mais leitores para este fantástico escritor português que se chama David Soares. Não se vão arrepender, nem precisam de me agradecer; e haverá sempre umas palavras que irão brotar biblicamente dos vossos lábios: “Onde estava David Soares? Não estava perdido, mas foi achado. E agora que o encontrei vou fazer uma festa e alegrar-me com um novo romance seu; nem que tenha de esperar para o halloween.”

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