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Passado um bocado, ela vai à casa de banho e, quando volta, diz-me:
— A torneira está a pingar.
No dia seguinte, há uma mensagem na mesa da cozinha: «Fundiu-se uma lâmpada do corredor.» É esta a natureza do nosso compromisso: eu transmito-lhe sofrimento, ela atribui-me tarefas.

Hotel Silêncio de Auður Ava Ólafsdóttir (página 67)

Vou à cozinha, para experimentar pessoalmente a torneira — como se tivesse um toque mágico. Nada. Nem sequer uma gota. A nossa torneira morreu e não há reanimação que a traga de volta à vida. Tomo nota da hora, como fazem nas urgências: 13h32min, dia 4 de junho.
Seca de Neal Shusterman e Jarrod Shusterman (pág. 15)

A Saída de Emergência optou e bem por utilizar a capa da edição original. É uma imagem explosiva da responsabilidade de Jay Shaw.

water … maybe?

a hose lying gently on the grass waiting for ….

tap and green

A tap, a wire fence and green.

two birds

Apenas dois pássaros que bebiam para saciar a sede de uma fonte improvisada mantida pela água que escorria da torneira.

mas, eu fiz uma pergunta?

Hoje pela manhã, e como habitualmente sem esperar uma resposta porque não foi feita uma pergunta, cumprimentei as pessoas que se iam cruzando comigo ou com a frase quebra-gelo “Então, tudo em cima!” ou com uma frase feita de cariz meteorológico “Está outra vez a chover!” ou até com uma expressão da mais refinada verbosidade “Ah! O Morfeu foi carinhoso esta noite.” e tento continuar, sempre, sem abrandar a indolência do meu caminhar, porque prezo a ausência de stress e de emoções sudoríferas logo no princípio do dia, o meu percurso.

Por vezes algumas pessoas obtusas tentam responder a uma afirmação ou a uma exclamação com uma resposta e quebram-me o ritmo matinal. Mas se isto é grave, pior é quando a reboque de uma dessas frases começam a narram a noite anterior com – “uma unha partiu-se a lavar os dentes”, “a luz foi abaixo e atrasou o ciclo de lavagem da máquina de lavar roupa e atrasou-me a ida para a cama”, “a torneira do chuveiro da casa de banho pingou a noite toda e torturou-me o sono”, “os peditum do vizinho de cima eram pouco melodiosos e não me permitiram abraçar relaxadamente o sono”, et caetera.

Quando recebo neste contexto matinal e sem aviso prévio uma resposta a uma não pergunta fico temporariamente atónico porque é uma jogada social imprevisível que ainda não aprendi convenientemente a ripostar. Não é, contudo, uma falha da minha parte; mas tentarei de futuro, pelo menos uma vez por semana, seguir o programa “As Tardes da Júlia” ou outro semelhante.

Espero é que minha box não queime se arriscar gravar apenas, digamos, 30 minutos. Hummm! acho que primeiro vou ligar ao suporte a clientes para ter a certeza da margem de segurança.