Tag Archive for: verdade

02 Mar
02.03.2020 Há mentiras que resgatam e há verdades que escravizam.
A Rainha Ginga de José Eduardo Agualusa (pág. 121)

05 Jan
05.01.2020 Com o à-vontade com que antes passavam pratos de comida à mesa do jantar, distribuíam agora pormenores sangrentos. Não importava a redundância e menos ainda a repetição. Quanto mais partilhavam, menos verdadeiro tudo se lhes afigurava. A tragédia era um bem como outro qualquer: destinava-se a ser consumido, individual e coletivamente.
Três Filhas de Eva de Elif Shafak (pág. 347)

bruce chatwin

01 Jan
01.01.2020 BRUCE CHATWIN ACREDITAVA QUE O DESTINO do homem era viajar, o vadiar, andar de terra em terra. Para o comprovar temos o resumo luminoso da sua obra e o exemplo pessoal, quando se despediu do emprego londrino com um simples bilhete a dizer: «Fui para a Patagónia.» Esta frase deve ter existido — mas entrou no domínio das lendas passíveis de serem comprovadas. Ou seja: pode ser verdadeira, mas, se for falsa, tanto melhor, porque é quase perfeita. «Fui para a Patagónia» é o resumo de uma vida que — leitores ingénuos como somos — acreditamos ter sido consagrada ao nomadismo.
Canto Nómada de Bruce Chatwin (págs. 7)

Fragmento do prefácio “Chatwin: os lugares aonde o nosso olhar ainda não chegou” por Francisco José Viegas.

de lado – 0090

15 Dez
15.12.2019

Com as mãos ocupadas com sacos de lixo reparei que por mais esforço que fizesse não me aproximava do contentor. Estaria a sonhar? Não, porque nenhum sonho conseguiria simular a chuva a colidir com os óculos. Mas a verdade é que o contentor se mantinha impávido e indolente no mesmo sitio e eu não conseguia reduzir a distância. O que se passava? Depois lá percebi: estava parado.

the institute by stephen king

14 Out
14.10.2019

In the middle of the night, in a house on a quiet street in suburban Minneapolis, intruders silently murder Luke Ellis’s parents and load him into a black SUV. The operation takes less than two minutes. Luke will wake up at The Institute, in a room that looks just like his own, except there’s no window. And outside his door are other doors, behind which are other kids with special talents—telekinesis and telepathy—who got to this place the same way Luke did: Kalisha, Nick, George, Iris, and ten-year-old Avery Dixon. They are all in Front Half. Others, Luke learns, graduated to Back Half, “like the roach motel,” Kalisha says. “You check in, but you don’t check out.”

Book Depository

“The Institute” de Stephen King venceu todas as provas. É uma história assustadora (assistimos ao verdadeiro mal); comovente e bastante credível e mais que viciante. Adorei.

doutor sono de stephen king

30 Set
30.09.2019

Uma tribo de gente chamada o Nó Verdadeiro viaja à procura de sustento pelas autoestradas da América. Parecem inofensivos e são, sobretudo, velhos. Mas, tal como Dan Torrance bem sabe, e Abra Stone não tarda a descobrir, os membros do Nó Verdadeiro são quase imortais e vivem do «vapor» produzido pelas crianças com o «brilho» quando são lentamente torturadas até à morte. Assombrado pelos residentes do Hotel Overlook, onde passou um ano horrível da sua infância, Dan anda há décadas à deriva, tentando libertar-se do legado de desespero, alcoolismo e violência deixado pelo seu pai. Por fim, instala-se numa cidade de New Hampshire, numa comunidade de Alcoólicos Anónimos que o apoia e num trabalho num lar, onde o «brilho» que lhe resta oferece um derradeiro conforto aos moribundos. Com o auxílio de um gato presciente, torna-se o «Doutor Sono». E depois Dan conhece a evanescente Abra Stone, e é o espetacular dom dela, o brilho mais vivo que ele já viu, que dá novo alento aos fantasmas de Dan e o impulsiona para uma guerra épica entre o bem e o mal para salvar Abra e a sua alma.

Wook

Adorei a leitura da sequela The Shining. Stephen King no seu melhor.

Doutor Sono é uma leitura que assusta e diverte – delirante.


Tradução de Ana Lourenço e Maria João Lourenço

Na esquina uma miniatura da personagem Altaïr Ibn La’ahad da saga Assassin’s Creed.

26 Jul
26.07.2019 (…) Disse que pensava que a maioria de nós desconhecia o quão verdadeiramente bom ou o quão verdadeiramente mau éramos, e que a maioria de nós nunca viria a ser suficientemente testada para o poder descobrir.
A Contraluz de Rachel Cusk (página 62)

17 Mai
17.05.2019 (…) O argumento mais utilizado para defender estes «espetáculos» é o da tradição. Nunca entendi isto. Um ato idiota não se torna mais inteligente ou mais interessante por o repetirmos a cada ano, de geração em geração. Na verdade, só piora.
O Paraíso e Outros Infernos por José Eduardo Agualusa (pág. 101)

16 Mai
16.05.2019 «LANÇAR UM BOMBA», ESCREVEU JORGE LUIS BORGES, «é mais uma confirmação do que uma refutação. É como dar razão ao adversário, mas de um modo terrível.»
Quem está certo da sua razão, discute-a. Apresenta argumentos. Defende, até ao fim, uma determinada linha de pensamento. O murro acontece quando a inteligência colapsa. Um murro é sempre uma expressão de derrota — ainda que, eventualmente, derrube o adversário. O que derrubou o adversário não foi uma verdade qualquer ou a pureza de uma ideia. Foi um murro.
De resto, com frequência, o homem que dá o murro justifica-se dizendo: «Perdi a razão.»
O Paraíso e Outros Infernos por José Eduardo Agualusa (pág. 57)

13 Mai
13.05.2019 Se tinham algum fundo de verdade os murmúrios do povo, as insinuações, os risos de caxexe, isso não sei. De resto, pouco importa: entre nós o boato sempre foi mais poderoso que a verdade. Ele faz acontecer, dá acontecência ao insucedido.
A Feira dos Assombrados por José Eduardo Agualusa (pág. 60)

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