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buraco

E porque não? um pouco de verde em cimento.

green and brown

Árvores e verde.

vírus?

Ao passar junto a um monitor reparei no fundo do ambiente de trabalho – a face de um recém-nascido todo sorridente. E não pude deixar de comentar à D., responsável por aquela decoração?, que ela tinha um enorme vírus no pc. É o meu neto! – exclamou orgulhosa. Mas não será um vírus?

Concluo, com a costumeira clareza com que concluo as minhas conclusões, que os recém-nascidos são mesmo um vírus que se alimenta da energia vital dos progenitores – sugadores de tempo, de harmonia, de noites bem dormidas; criadores de roupa suja em perfeita função exponencial; autênticos mestres perfumistas.

Quando reparo em alguém com olheiras e de olhar perdido no “infinito e mais além” sei que estou perante um ser humano vítima desse vírus recém-nascido [RN]. Não se iludam, papás e mamãs, não há treino militar capaz de simular o cenário de guerra de uma habitação habitada por um recém-nascido. Não existe qualquer tropa de elite, STF, SASR, GSG9, KSK, BOPE, CFN, COE possuidora de treino psicológico eficaz para combater o RN que domina com facilidade e desenvoltura qualquer forma de combate – exímio até no ataque terrorista.

Aliens, anacondas, aranhas gigantes, ogres, dragões, salamandras, abelhas assassinas, Kings Kongs, T-Rexs são uma patética anedota de susto porque se existe algo verdadeiramente assustador é o ataque terrorista de um RN. Com uma preparação inata são capazes quando menos se espera de surpreender qualquer progenitor em qualquer altura, em qualquer lugar: seja com um ataque sonoro poderoso e persistente capaz de inibir a capacidade de relaxamento e nunca nenhum progenitor foi capaz de ganhar um combate orientado para limitar o impulso de começar-se a adormecer designado para fácil memorização por C.O.L.I.C.A.; seja com um ataque S.E.A.L. [1] (Secreção Explosiva de Alta Liquidez) – que é o mais cutilante -, tecnicamente rebaptizado de vómito ou carinhosamente apelidado de bolsar, na melhor peça de roupa, que se vestiu para aquela tentativa ilusória de passeio dominical junto à praia; seja com um ataque químico amarelo-esverdeado (ou C.O.C.O [Concentração Optimizada de Componentes Olfactivos]), militarmente identificado como altamente odorífero capaz de penetrar à velocidade da luz nas narinas em efeito murro no plexo solar levando normalmente a vitima a um regurgito estomacal, à perda de lucidez, à produção de suores, tudo embrulhado numa tez cadavérica.

Alguns progenitores, talvez, dignos praticantes de alguma filosofia masoquista – ou quiçá até de forma inocente, não serão necessariamente obtusos, nem merecem ser ostracizados na sua procura de um bem melhor, ou apenas pensaram ter criado anticorpos -, decidem tentar novas técnicas de combate ou aperfeiçoar as anteriormente usadas com vista a derrotar pelo menos uma vez o RN; mas o novo RN é sempre, mas mesmo sempre, uma experiência única, ímpar em nada semelhante ao(s) anterior(es).
Não me pretendo alongar nos porquês de ainda haver desejos por um segundo RN – teria muito que escrever. Apenas reafirmo a minha natural preocupação pela sanidade mental dos progenitores e sou sempre, nestes casos, praticante de uma solidariedade remota.

Termino dizendo que sou contra o facto de alguns gabinetes de análise de risco família-militar [o casal] colarem ao RN um nome que entendem caracterizar e/ou amenizar? a sua sublimação táctica – T.I.G.R.E. [2] (Terrorista Inato Gerador de Repulsa Extrema). Não pretendo ser tão suave. Se fosse rotular o RN com uma palavra que significasse toda a sua capacidade bélica seria simplesmente e assustadoramente de bebé.


[1] Não confundir com os SEALs (Sea, Air, and Land Forces)
[2] Não confundir com os TIGRE (Tático Integrado de Repressão Especial)

door & green

porta verde.

white & green

No Algarve. Não me recordo do local.

portugal?

A cada gole de coca-cola lá olhava para a televisão e reparei no jogo de futebol e num jogador de nome Liedson. E deduzi pela atenção do dono do café que o Benfica estava também a jogar, porque ele é como quem diz um benfiquista. Estranhei o facto do Sporting estar a jogar de branco, mas julguei que seriam regras novas. Sei que a troca de camisolas é para evitar a confusão, mas como não sigo as coisas teóricas do futebol pensei que seria uma “cena” especial. Nova olhadela e raciocinei que o verde/branco não se confundia com o vermelho e fiquei confuso. E questionei-me sobre a “cena” especial. Mais confuso fiquei ao não reconhecer a outro olhar qualquer jogador do Benfica. E, claramente, concluí que devia ser o Braga, porque não conheço nenhum jogador do plantel do Braga. Mas o branco das camisolas estava a moer-me a tola. Ou seria outra equipa com o equipamento vermelho. E depois estranhei os muitos espectadores de vermelho. Eram muitos. E lá apareceu em nova espreitadela o Liedson. A curiosidade e a confusão eram imensas e tive de perguntar qual a equipa que estava a jogar com o Sporting e a resposta foi Portugal vs Dinamarca. O Liedson já é português, mai nada. Só me confundem, porquê?

trees ii

Trees near “Escola Secundária de Barcelos”. I apply a green filter.