Tag Archive for: vida

20 Fev
20.02.2020 No deserto pode-se caminhar durante dias, semanas e até meses sem ver outra coisa além de areia; ora bem, chega sempre 0 momento em que aparece um oásis maravilhoso que convida a parar e reabastecer. Por mais duro que seja o trajeto que leva a um oasis, qualquer oásis merece sempre o esforço do caminhante.
O Amigo do Deserto de Pablo d’Ors (pág. 161)

erro de sistema – 0017

11 Fev
11.02.2020

O erro de sistema não tem suporte de vida

o caos

31 Jan
31.01.2020

A chuva desliza tão lânguida do céu que as gotículas não conseguem perturbar a placidez das poças de água. Estas permanecem impávidas, sem ondulações; alheias ao toque sedutor da chuva. Uma imagem de harmonia que convida à meditação. Como detesto essas tretas salto para uma das poças de água ao melhor estilo Godzilla e é o caos à solta – água por todo o lado. Um sorriso rasga-me o rosto. O caos também é zen.

21 Jan
21.01.2020 (…) São exemplos de uma arte tardia mas simples, naturais e de apelo universal. Aqui não há homens de arnês ajoelhados, à espera de uma ressurreição feliz. O artista limitou-se a apresentar, com maior ou menor habilidade, a simples realidade presente dos homens, continuando-lhes e perpetuando-lhes com isso a existência. Eles não põem as mãos, não olham para o céu, mas estão aqui em baixo, tal como foram e são. Estão juntos, participam da vida uns dos outros, amam-se, e tudo isso está expresso da forma mais tocante nas pedras, apesar da execução um tanto desajeitada.
Viagem a Itália de Johann Wolfgang Von Goethe (pág. 79)

instantâneos de claudio magris

17 Jan
17.01.2020

Este livro de Claudio Magris são observações sobre a vida, a fé, a moral, motivadas por “instantâneos” – “um instantâneo é uma fotografia tirada com um tempo de exposição muito breve e sem apoio de um tripé.”

São apresentadas reflexões fantásticas e outras catitas, mas até as catitas são fantásticas. O que releva é o leitor sentir primeiro os argumentos pelo óculo do autor e depois ser “obrigado” a analisa-los através das suas próprias vivências.

Tradução Sara Ludovico

bruce chatwin

01 Jan
01.01.2020 BRUCE CHATWIN ACREDITAVA QUE O DESTINO do homem era viajar, o vadiar, andar de terra em terra. Para o comprovar temos o resumo luminoso da sua obra e o exemplo pessoal, quando se despediu do emprego londrino com um simples bilhete a dizer: «Fui para a Patagónia.» Esta frase deve ter existido — mas entrou no domínio das lendas passíveis de serem comprovadas. Ou seja: pode ser verdadeira, mas, se for falsa, tanto melhor, porque é quase perfeita. «Fui para a Patagónia» é o resumo de uma vida que — leitores ingénuos como somos — acreditamos ter sido consagrada ao nomadismo.
Canto Nómada de Bruce Chatwin (págs. 7)

Fragmento do prefácio “Chatwin: os lugares aonde o nosso olhar ainda não chegou” por Francisco José Viegas.

29 Dez
29.12.2019 Fernando Pessoa exprimiu antes de nós as razões pelas quais preferimos aos de hoje os barcos de outrora (ou antes, neste caso, as cartas antigas às modernas):

Gostaria de ter outra vez ao pé da minha vista
    veleiros e barcos de madeira,
De não saber doutra vida marítima que a antiga
    vida dos mares!


Ode Marítima publicada sob o heterónimo Álvaro de Campos

Breviário Mediterrânico de Predrag Matvejevitch (págs. 266/267)

07 Dez
07.12.2019 … O problema dos jovens de hoje é não acreditarem nos sonhos. Se os sonhos não têm serventia, então porque dormimos oito horas por dia, trinta anos em noventa de vida? E porque sonhamos tanto?

… Eu não gosto de sonhar, porque os sonhos são ainda mais imprevisíveis do que a vida…

… É o contrário, os sonhos são mapas que nos ajudam a orientar na vida. Aqueles que não sabem ler os sonhos, esses, sim, estão perdidos…
O Terrorista Elegante de José Eduardo Agualusa e Mia Couto (pág. 110)

03 Dez
03.12.2019 Vai-se até ao fim do mundo para se começar uma vida nova, pensa-se que se conseguiu e o passado acaba por nos invadir o presente, como um fugitivo disfarçado que é detetado por um velho inimigo. Fora feliz no seu anonimato, quando não passava de um homem branco no meio do mato. Agora, sentia-se nu.
Assim for Rimbaud em Harar.
Viagem Por África de Paul Theroux (pág. 144)

e então vai entender de claudio magris

16 Out
16.10.2019

Neste monólogo narrativo sobre um amor total e falhado, uma mulher fala-nos a partir de uma obscuridade misteriosa – a partir da morte? – e revela-nos num tom terno e impiedoso, que contém toda a grandeza e mesquinhez da vida e da morte, as alegrias e misérias da paixão – e do homem que ela ama, mas renuncia seguir de volta à vida. Em E Então Vai Entender, Claudio Magris movesse entre a experiência pessoal e o mito; entre a vontade de fuga e a intensidade da permanência, entre a ligeireza e a tragédia.

Quetzal Editores

Excelente narrativa.


Tradução de José Colaço Barreiros

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