Tag Archive for: vida

hotel silêncio de auður ava ólafsdóttir

04 Jul
04.07.2019

Jónas Ebeneser está no limiar dos quarenta e nove anos. É um homem divorciado, heterossexual, sem relevância social ou vida sexual. E tem a compulsão de consertar tudo o que lhe aparece à frente. Tomou recentemente conhecimento de que não é o pai biológico da sua filha. Isso despedaça-o e fá-lo mergulhar numa crise profunda.
Com grande mestria, num estilo poético e finamente irónico, Ólafsdóttir mostra neste romance a capacidade de autorregeneração de um homem que redescobre um sentido para a vida através da bondade, mesmo que o faça a partir das profundezas do desespero.

Wook

Este livro, Hotel Silêncio de Auður Ava Ólafsdóttir, foi uma deliciosa descoberta. Uma história apaixonante que fala das fraquezas humanas e da nossa capacidade de superação. Um livro sobre a vida e os relacionamentos.

O livro é espectacular e não é a bebida a falar!

21 Jun
21.06.2019 — Fala do Jardim da Morte, bem sei.
— Sim, a Morte. A Morte deve ser tão bela. Repousar debaixo da terra, com as ervas ondeando ao vento sobre o nosso corpo, ouvindo o silêncio em toda a volta. Não ter ontem nem amanhã! Esquecer o tempo, perdoar a vida, estar em paz! Talvez possa auxiliar-me, abrir-me as portas da Morte, porque o Amor vive em si, Miss Otis, e o Amor é mais forte do que a Morte.
O Fantasma de Canterville e Outras Histórias por Oscar Wilde (página 44)

um coração simples de gustave flaubert

17 Jun
17.06.2019

Um excelente conto, Un cœur simple, do autor de três excelentes obras que tive o prazer de ler: Madame Bovary, Salambô e A Educação Sentimental. Um Coração Simples foi publicado em 1877 no livro Trois Contes em conjunto com “La Légende de Saint Julien l’Hospitalier” e “Hérodias” .

“Um Coração Simples” de Gustave Flaubert espelha minuciosamente a vida monótona e sem amor de uma criada pobre e sem instrução. Flaubert neste poderoso conto elabora um estudo doloroso das limitações humanas e da solidão que elas criam.

Em “Um Coração Simples” Flaubert deixa espaço suficiente para permitir interpretações diferentes. Mas seja qual for a interpretação a conclusão é única: “Um Coração Simples” é uma obra de arte profundamente comovente e extremamente bela.

20 Mai
20.05.2019 Ali parado sob a chuva miudinha (…), ocorreu-lhe que as crianças eram melhores em quase a morrer, e também eram melhores em incorporar o inexplicável nas suas vidas. Acreditavam implicitamente no mundo invisível.
A Coisa por Stephen King (página 584)

06 Mai
06.05.2019 Meteu a mudança e arrancou, sentido mais uma vez que tinha sido fácil deslizar por uma fenda inesperada daquilo que considerava uma vida sólida; como seria fácil seguir para o lado negro, velejar do azul em direção ao negro.
A Coisa por Stephen King (pág. 86)

28 Fev
28.02.2019 Fran está em desespero, mas não consegue evitar o interessezinho pelo que se passa e pela maneira como lhe é contado. Faz parte dela e ela faz parte daquilo. A sua vida foi cheia de fracasso, de derrota e de trivialidade, de pequenas preocupações, e por vezes teme que esteja a terminar tristemente. Começa a faltar-lhe a coragem, começa a faltar-lhe a energia. Viveu por procuração, nas pequenas preocupações dos outros.
Sobe a Maré Negra por Margaret Drabble (página 350)

01 Fev
01.02.2019 E Port dissera: «A morte vem sempre a caminho, mas o facto de não sabermos quando chegará parece afastar a natureza finita da vida. É essa terrível precisão que odiamos tanto. Mas, como não sabemos, pensamos que a vida é um poço inesgotável. No entanto, tudo acontece apenas um certo número de vezes, na verdade um número muito reduzido. Quantas vezes mais recordarás uma certa tarde da tua infância, uma tarde que é, tão profundamente, uma parte do teu ser que nem podes conceber a tua vida sem ela? Talvez mais quatro ou cinco vezes. Talvez nem tanto. Quantas vezes mais contemplarás a lua cheia a erguer-se? Talvez vinte. E, no entanto, tudo parece ilimitado.»
O Céu Que Nos Protege de Paul Bowles (página 248)

11 Out
11.10.2018 Acordara um dia e a sua infância tinha acabado – terminara quando ele estava distraído e os seus elementos continuaram indefiníveis, o seu desígnio nebuloso, todas as suas harmonias por resolver.
Deixa a Chuva Cair de Paul Bowles (página 310)

17 Jul
17.07.2018 Eu era um animal encurralado. Não encurralado pelas mulheres, pela casa ou pela tradição. Eu estava encurralada pela vida. Como se tivesse sido um espírito livro durante milénios até que um dia algo me abocanhara, algo irado e violento e vingativo, e eu tivesse sido puxada para o corpo em que agora residia. Presa à sua mercê, segundo as suas regras. Então pensei na minha mãe. Ela mantivera a sanidade por mim. Vivera por mim. Eu podia fazer isto por ela.
Quem Teme a Morte de Nnedi Okorafor (página 45)

são meus

28 Jun
28.06.2018

Sinto falta dos meus mortos vivos. As suas inexistências impedem o meu viver. Será que me visto de preto cinzento porque percorro os meus caminhos em perpétuo luto? Talvez não. A verdade, contudo, é que sei claramente que subsisto com uma alma outonal.

Ah! O quanto odeio o Outono. Estação de queda; na qual terminam todos os ciclos.

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