Tag Archive for: vida

17 Jul
17.07.2018 Eu era um animal encurralado. Não encurralado pelas mulheres, pela casa ou pela tradição. Eu estava encurralada pela vida. Como se tivesse sido um espírito livro durante milénios até que um dia algo me abocanhara, algo irado e violento e vingativo, e eu tivesse sido puxada para o corpo em que agora residia. Presa à sua mercê, segundo as suas regras. Então pensei na minha mãe. Ela mantivera a sanidade por mim. Vivera por mim. Eu podia fazer isto por ela.
Quem Teme a Morte de Nnedi Okorafor (página 45)

são meus

28 Jun
28.06.2018

Sinto falta dos meus mortos vivos. As suas inexistências impedem o meu viver. Será que me visto de preto cinzento porque percorro os meus caminhos em perpétuo luto? Talvez não. A verdade, contudo, é que sei claramente que subsisto com uma alma outonal.

Ah! O quanto odeio o Outono. Estação de queda; na qual terminam todos os ciclos.

festas e comemorações!

11 Abr
11.04.2018

Quando terminei a quarta classe a recompensa foi ter terminado a quarta classe.
Quando terminei o 6º ano (o ciclo) a recompensa foi um gelado Corneto.
Quando terminei… não houve nada.

Actualmente existe a festa de finalistas da pré-escola, do 1º ciclo, do 2º ciclo, do 3º ciclo, do secundário, viagens de finalistas, até do 2º ciclo. Já não chegavam, também, as festas de aniversário, de casamento, baptizado, comunhão, descobri, também, festas de divórcio. Para quando em Portugal as festas de funeral?

A vida é tão miserável que tenha que ser compensada com futilidades? As crianças, adolescentes, adultos, velhos precisam de comemorar qualquer feito por irrelevante que seja?

Estarei errado?

o idiota de andré diniz

05 Nov
05.11.2017

Esta adaptação do livro “O Idiota” de Dostoiévski é avassaladora pela ausência, quase, total de texto o que levará (ou não) potenciais leitores a sentirem-se assustados, além de que 416 páginas é no seu melhor, uma obra de peso!

Não senti falta dos textos. Não sei se por ter lido “O Idiota” de Dostoiévski em adolescente, ou pelo facto de os desenhos se bastarem a si próprios.

O desenho peculiar de André Diniz confere uma abordagem especial a uma obra inesquecível. Foi sem dúvida uma leitura positivamente peculiar.

André Diniz explica-se elegantemente sem qualquer Bang!

coisas de outubro, 2017

01 Nov
01.11.2017

As leituras e não leituras de alguns fins-de-semana e não só.

Um pouco de banda desenhada:

  • Reféns do Ultralum de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières
  • O Órfão dos Astros de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières
  • Tempos Incertos de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières
  • Nas Imediações do Grande Nada de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières
  • Tokyo Ghoul #9 Sui Ishida
  • A Ordem das Pedras de  Pierre Christin e Jean-Claude Mézières
  • O AbreTempo de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières
  • Polina de Bastien Vivès
  • Recordações de Futuros de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières
  • Histórias do Bairro de Gabi Beltrán e Bartolomé Seguí
  • Homem-Aranha vol. 6: Guerra Civil II – uma autêntica seca; desiludido nos dois últimos volumes
  • Platinum End #1 de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata
  • Tempos Amargos de Étienne Schreder
  • Y: O Último Homem vol.1 de Brian K. Vaughan e Pia Guerra
  • Homem-Aranha vol. 7: A União Faz a Força / Guerra Civil II – mais divertido.
  • Marvel Especial vol. 1: Deadpool – valeu a pena. boa leitura
  • Os Trilhos do Acaso 1 de Paco Roca
  • Os Trilhos do Acaso 2 de Paco Roca
  • Monstress vol. 1: Despertar de Marjorie Liu e Sana Takeda

Um pouco de outras coisas mais:

  • 4 3 2 1 de Paul Auster
  • O Passado é um País Estrangeiro de Ali Smith – (comprei este livro entusiasmado pelo tema: “Era uma vez um homem que, certa noite, durante um jantar social, entre o prato principal e o doce, subiu as escadas e fechou-se num dos quartos da casa. À medida que as horas se transformam em dias, e os dias, em meses, as consequências deste estranho ato repercutem-se para o exterior, afectando os donos da casa, os outros convidados, a vizinhança e todo o país.”) Lamentavelmente não me deu pica. Deve ser aquela altura do mês em que se complica qualquer leitura. Coloquei o livro de lado e iniciei novos voos, noutras páginas.
  • O Reino Mais Além das Ondas de Stephen Hunt – outro livro que coloco de lado, arrumado. À espera de novos apetites.
  • Human Maps de Andrew Hook

4 3 2 1 de paul auster

16 Out
16.10.2017

Entre muitas outras leituras fui lendo calmamente esta obra.

Antes de mais, 4 3 2 1, é um livro pesadão de 872 páginas, mas que se lê bem; muito bem até.
Archie Ferguson, a personagem principal, tem a sua vida desdobrada em quatro caminhos. São, assim, apresentadas quatro vidas de Archie, temperadas com sexo, solidão, amor(es), tristeza, alegria, que divergem umas das outras devido a pequenos acontecimentos e escolhas. Mas logo se percebe que as pequenas escolhas se transformam em grandes mudanças.

Para ajudar na distinção da vida dos quatro Archie os capítulos são numerados da seguinte forma:
Archie I
1.1, 2.1, 3.1, 4.1, 5.1, 6.1, 7.1 – Fica-se a saber que Archie morre num incêndio em Rochester enquanto dormia.
Achie II
1.2, 2.2 – Archie morre com o impacto de um ramo na sua cabeça.
Archie III
1.3, 2.3, 3.3, 4.3, 5.3, 6.3 – Archie morre atropelado em Londres.
Archie IV
1.4, 2.4, 3.4, 4.4, 5.4, 6.4, 7.4 – e aqui tudo fica explicado ou talvez não…

Assim 4 3 2 1 é, naturalmente, a contagem decrescente para a morte de Archibald Isaac Ferguson (Archie Ferguson).
E descobre-se que o livro tem vários livros dentro de si. Não é apenas quatro em um, mas acima de tudo um em quatro.

É uma obra de grande fôlego. Narra, não apenas as vidas dos Archie, mas consegue-o envolver perfeitamente nas convulsões sociais dos EUA: a contracultura, o movimento dos direitos civis, o Black Power, a guerra do Vietname,  e os movimentos pró e contra, a importância do SDS, a ocupação da Universidade Columbia, em Nova York por estudantes,  a revolta em Newark, Nova Jersey, o assassinato de Martin Luther King e a onda de violência que se seguiu.

4 3 2 1 fala de filmes e de livros com uma paixão desmedida, ah! e também de música. Uma maravilha.

É um livro que merece ser lido com calma.

de lado – 0053

13 Out
13.10.2017

A vida é muito diferente do que um filme, não pode ser editada.

10 Out
10.10.2017 La petite mort e la grande mort com um intervalo de dez segundos entre si – vir-se e ir-se no espaço de três breves fôlegos.
4 3 2 1 de Paul Auster (pág. 622)

02 Out
02.10.2017 What kind of darkness is this that has infiltrated our lives? What is the source of this malignant nature, that it so maliciously has stolen even our dreams from us. Where does it receive its divine-like might and power?
Black Sunshine by Alexander Zelenyj

de lado – 0046

24 Ago
24.08.2017

O problema não foi a minha vida dar uma volta de 360º, o problema foi ficar atordoado.

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