Tag Archive for: vida

período refractário

27 Abr
27.04.2010

Tenho um colega que se gaba imenso, quase exageradamente, direi eu inocentemente ou ignorante até, das suas habilidades/capacidades sexuais. Todas “elas” ficam satisfeitas se o tiverem como parceiro tal é a sua pujança. Um dos seus segredos é a ingestão diária de uma barra de chocolate. Ele, actualmente, tal é o número d “elas” que querem sentir tamanha energia e masculinidade, só aceita mulheres “de catálogo” – um gourmet do sexo!

A semana passada em tom de brincadeira inquiri-o acerca da duração do seu “período refractário”. A sua resposta, “Ui, é muito tempo, muito tempo mesmo. Comigo é tudo em grande!”, foi gritada enquanto atirava o braço direito em frente para salientar com esse gesto a sua plena alegria por “muito tempo”. Não pude deixar de gargalhar perante a sua obtusa resposta.

Conto este episódio anedótico a recordar-me da frase “Prescinde/não prescinde(3) do direito ao ensino da disciplina de Religião e Moral Católicas” (modelo n.º 451 INCM) escrita, pelo menos entre 1983/1988, nos boletins de matrícula do ensino básico e do ensino secundário. (3) “Riscar a palavra que não interessa”; perante isto acredito que muitos encarregados de educação riscaram a palavra “Prescinde” porque viam apenas o não e nunca associavam o “prescinde” a “passar sem”. Isto criou muita confusão desnecessária. E para resolver o problema bastava ter substituído a palavra “prescinde” por outra como “renuncia”, “dispensa”. Era uma frase religiosamente armadilhada com o objectivo de, por engano/lapso, obrigar os alunos à frequência da disciplina de Religião e Moral Católicas. A partir de 1989 já era necessário uma declaração própria devidamente assinada a informar do desejo de frequentar a disciplina de Religião e Moral (DREN modelo 1) e em outros boletins de matrícula bastava escrever a palavra “SIM” “no rectângulo abaixo” (modelo n.º 1065 da INCM). Com isso terminou as matrículas por “engano”.

E já agora a palavra “obliterar” colocada nestes termos: “O título de transporte só é válido se for obliterado” também é um espectáculo burlesco da aproximação dos serviços públicos ao cidadão.
Em Portugal a taxa de dislexia, mais por falta educação do que motivada por problemas médicos, ainda é elevada. Ou… já não o é… fruto das Novas Oportunidades.
E agora fiquei ligeiramente afásico!?

os passageiros do vento – a menina de bois-caïman (v. 7 – parte 2)

10 Jan
10.01.2010

É redundante continuar a falar da mestria de Bourgeon. Ele é mesmo bom.
Quanto a esta segunda parte d’A Menina de Bois-Caïman foi com alegria que iniciei a sua leitura e com tristeza que cheguei à última prancha. Sim, com tristeza!

Bourgeon foi, pensando bem, um grande maroto. Não se presenteiam dois grandes presentes como estes – Menina de Bois-Caïman, parte 1 e parte 2 -, passados que foram 25 anos de uma saga (Passageiros do Vento) que eu suponha terminada e como tal já estava, devidamente, anestesiado, e agora sei que terminou definitivamente. Saber que não haverá mais Isa outra vez… Ter de assimilar uma vez mais esta ideia.

Claro que, apesar deste senão(?), é uma leitura recomendada e um abrir de 2010 em grande para a banda desenhada editada em Portugal.

ck

08 Jan
08.01.2010

Para quem tem andado distraído já estamos em 2010 e está tudo igual. Quase tudo. Exceptuando a destruição das minhas cuecas CK que exibia orgulhosamente num dos meus sonhos.

Nunca mais sonhei comigo mesmo enquanto vestia CK. É um pouco aborrecido não ter condições de controlar os meus sonhos. Seria óptimo fazê-lo tendo em conta que já não controlo a minha vida real. Seria um avanço. Pois os meus rebentos 3+12 descontrolam a minha existência diária, semanal, anual… e com aquele pedaço divinal de têxtil sentia-me diferente…

aventura culinária

08 Jan
08.01.2010

Convidar alguém para jantar e ser obrigado a fazê-lo como desafio às minhas capacidades culinárias não estava dentro do meu arrojado plano; descascar batatas durante 45 minutos, muito menos. Penso, contudo, que o resultado final foi positivo.
Claro que aguardei os 30 minutos de praxe e ninguém foi vitima de intoxicação alimentar.

A deslocação já menos massiva de Sir Paxo, o que abala infelizmente a perspectiva volumétrica da minha filha sobre o que é na verdade alguém ser… forte/gordo, permitiu-me usufruir de uma boa companhia; sem negar as suas qualidades de bom falador e bom ouvinte, estou, muito naturalmente a referir-me à boa companhia de uma cerveja com que ele presenteou a mesa.

A recordar o 3D penso no primeiro filme que vi no cinema, Beowulf, e no último, Avatar, e a diferença é BRUTAL. Eu até ia novamente…

Outra satisfação que tive no jantar, que serviu também este propósito, foi dar mais um livro a quem não gosta de ler.

selecção

27 Nov
27.11.2009

Existem antigos(as) colegas de escola e não só que se cruzam comigo na rua e me cumprimentam. A minha primeira expressão é uma natural cara de assombro. Questionava-me mentalmente “Mas de onde é que tu me conheces?” Não chegava a nenhum resultado. E à pergunta “Não sabes quem eu sou?”, respondia “Não estou a chegar lá”. Claro que, depois, a pessoa se identificava, se explicava, se localizava no tempo e ocasionalmente despertava eu mim alguma memória, mas, mais frequentemente, nem um farrapo se exibia. O que era constrangedor. Pensei até quarta-feira passada que devia existir um problema comigo. Serei um pouco ou até exageradamente “despistado”? Terei um problema de memória? Porque motivo estou a olhar para ti e a tua face não me diz nada de nada, zero? Porque razão te coloquei num abismo qualquer? – perguntei-me imensas vezes.

paus e caras

Afinal descobri que existe um motivo válido e racionalmente coerente para não ver rostos nas pessoas com que me cruzo e que já fizeram parte da vida social e/ou académica ao longo de já 41 anos. A razão é pela simplicidade de uma beleza etérea e resume-se a não ter considerado essas pessoas como, digamos, uma mais-valia para os meus relacionamentos. E efectuar uma profunda selecção das minhas relações/amizades só me torna especial. Sou diferente nesta selecção “social” e ao ser muito exigente comigo, e aqui está a outra face – nocturna – da mesma descoberta, sou-o igualmente com os meus amigos.

Ficar satisfeito por este romper do sol, apesar de algumas nuvens persistentes, é dizer pouco: fiquei exultante, emocionalmente embriagado. Que continuem as descobertas.

21 Nov
21.11.2009 Quando Philip deixou de crer no cristianismo, sentiu que um grande peso lhe fora tirado dos ombros; despojando-se da responsabilidade que sobrecarregava cada acto, quando cada acto era de infinita importância para a salvação da sua alma imortal, experimentou uma viva sensação de liberdade. Mas agora sabia que isso fora uma ilusão. Ao abandonar a fé em que fora criado, mantivera intacta a moral que era sua parte integrante. Resolveu, então, pensar por si mesmo sobre as coisas. Determinou não se deixar influenciar por preconceitos. Descartou-se de vícios e virtudes e rejeitou os princípios assentes do bem e do mal, com a ideia de encontrar por si próprio uma norma de vida.
A Servidão Humana por Somerset Maugham

Obra poderosa que foi, na semana passada, relida com os mesmos olhos, mas com outro saber; são mais 20 anos em cima das costas.

a casa quieta

15 Nov
15.11.2009

Um casal ri, a subir. Um homem de ar preocupado consulta o telemóvel. Mariana procura adivinhar que problema lhe provoca aquela ruga na testa. Quem será. Como se chamará. A vida dos ouros parece-lhe agora interessante. A vida parece-lhe interessante. Eles sobem, ela desce. Eles sobem.

página 186

Foi livro que não conseguir ler.
Nesta altura do campeonato não consigo ler livros que me obrigam, pela forma como estão escritos, “poeticamente”, a uma grande concentração.
A culpa não é de Rodrigo Guedes de Carvalho e muito menos d’ “A Casa Quieta”. O culpado apenas eu.

este homem é perigoso

08 Nov
08.11.2009

Quando eu era miúdo ouvi um tipo qualquer dizer um provérbio que ainda hoje tenho presente: «Quando estiveres em dúvida, deixa-te ficar quieto». Tenho verificado que este provérbio é muito bom e, quando estou em dúvida a respeito de qualquer situação, deixo-me ficar muito sossegado. Acredito que as coisas acabarão sempre por se esclarecer por si próprias.

página 75

Gostei particularmente da forma como a história é contada apesar de serem quase sempre muito previsíveis as narrações na primeira pessoa. Este livro não foi excepção.
Leitura fácil e sem complicações. As suas 206 páginas foram papadas em 2 noites de pouco sono.

15 Jun
15.06.2009 Se pensar em todas as pessoas que encontrei na minha vida – professores, amigos, raparigas, relações ocasionais, velhos e fiéis companheiros, familiares – apercebo-me subitamente de que não houve uma única, nem uma única, que eu tivesse conhecido verdadeiramente.
A Morte de Um Apicultor por Lars Gustafsson (página 153)

04 Jun
04.06.2009 Relatively soon, I will die. Maybe in 20 years, maybe tomorrow, it doesn’t matter. Once I am dead and everyone who knew me dies too, it will be as though I never existed. What difference has my life made to anyone. None that I can think of. None at all.

Jack Nicholson as Warren Schmidt

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