Tag Archive for: vida

o mistério de alaizabel cray

08 Jan
08.01.2007

(…) quando largámos bombas do céu… bem, foi o fim. O triunfo da ciência. Já não precisávamos de temer que um deus nos atacasse do céu. O Homem assumia o papel de Deus. Agora nós temos o poder de arrasar cidades, de pôr fim a milhares de vidas de uma só vez. O bom do Charles Darwin explicou a vida, percebe. A ciência dá passos de gigante todos os dias, e cada passo se afasta mais do caminho do antigamente. A ciência retirou-nos a necessidade de acreditar seja no que for, porque agora tudo é explicável. O que é que resta? Quem é que ainda existe para nos livrar de culpa e da angústia?

página 226

Chris Wooding, O Mistério de Alaizabel Cray // título original: The Haunting Of Alaizabel Cray // tradução: António Carlos Andrade // editor: Editorial Presença, Colecção Via Láctea n.º 4, Lisboa, 2003 // isbn: 972-662-009-0

azul cobalto

07 Jan
07.01.2007

(…) Este tipo de depressão, para além de uma tristeza absoluta, consiste em colocarmos a nós mesmos perguntas ambiciosas, como por exemplo: Qual é o significado da vida?(…)

páginas 153/154

Patricia Highsmith, Azul Cobalto // título original: Ripley Under Ground // editor: Gradiva, colecção não incomode n.º 1, Viseu, 1986 // ISBN: 972-662-009-0

12 Nov
12.11.2006 (…) o suicídio é ao mesmo tempo considerado um insulto a Deus que nos deu vida e à sociedade que tudo faz pelo bem-estar dos seus membros.
A História do Suicídio de George Minois

tenho

10 Nov
10.11.2006

tenho medo de morrer e
detesto viver

30 Jun
30.06.2006

(…) Eu só procuro saber a razão por que os homens não se atrevem a matar-se, e nada mais. Não tem importância nenhuma.
— Não se atrevem? Pois não há bastantes suicídios?
— Muito poucos.
— Acha?
Não me respondeu, levantou-se e pôs-se a passear de um lado para outro.
— Que é que, na sua opinião, impede os homens de se suicidarem? — indaguei.
Olhou-me com ar abstracto, como se quisesse lembrar-se do que estávamos a falar.
— Pouco… pouco sei. Há dois preconceitos que os prendem, duas coisas só: uma é mínima, a outra considerável. Mas a mínima também é considerável.
— Qual é?
— A dor.
— A dor? É assim tão importante?
— Primordial. Existem duas categorias de suicidas: uns matam-se por excesso de melancolia ou por irritação, ou por loucura, não importa. Esses fazem-no sem vacilar. A loucura não os detém, matam-se logo, agem imediatamente. Quanto aos que o fazem com reflexão, pensam demasiado no caso.
— Então existem os que se destroem por reflexão?
— São muitos. Se não houvesse preconceitos, haveria ainda mais, muito mais, toda a gente.
— Quê? Toda a gente?
Kirilov calou-se uns instantes.
— Haverá meio de morrer sem dor?
— Imagine — respondeu ele, parando diante de mim, imagine uma rocha com as dimensões de um edifício colossal. Está suspensa sobre nós, que estamos por baixo. Se nos caísse em cima da cabeça, chegaríamos a sofrer?
— Uma rocha dessas dimensões? É horrível.
— Não falo do medo, refiro-me à dor.
— Uma rocha tão grande… evidentemente que não sentiríamos dor.
— Mas se de facto se encontrasse debaixo dessa pedra suspensa, o senhor teria medo de sofrer. Todos o teriam, médicos, sábios, fosse quem fosse. Sabem que não haveria dor e, no entanto, assustam-se.
— E a segunda causa, a mais considerável?
— É o outro mundo.
— Alude ao castigo?
— Tanto faz. O outro mundo é bastante.
— Há ateus que não crêem nisso.
O homem calou-se de novo.
— Julga talvez por si mesmo?
— Cada qual só pode julgar por si mesmo — retorquiu, corando. — Só existirá liberdade completa no dia em que for indiferente viver ou não viver. Eis o fim, o alvo de tudo.
— Nesse caso, ninguém desejaria viver.
— Ninguém — confirmou Kirilov, em tom decidido.
— O homem receia a morte porque ama a vida, eis como eu vejo as coisas — repliquei. — Assim dispôs a natureza.
— Logro vil. — exclamou, de olhos brilhantes. — A vida é a dor, a vida é o medo, e o homem é infeliz. Tudo é dor e medo. O homem, agora, ama a vida porque ama a dor e o medo. Criaram-no assim. Dá-se a vida a troco da dor e do medo, e eis aí o embuste. O homem de hoje não é ainda um homem. Há-de haver um dia o homem novo, orgulhoso, feliz, a quem será indiferente viver ou não; eis o homem novo. Esse vencerá a dor e o medo e será o próprio Deus. Deixará de haver outro Deus.
— Mas Deus existe, na sua teoria?
— Não existe, mas é. Não há dor numa pedra, mas no medo da pedra há dor. Deus é a dor do medo da morte. Aquele que vencer a dor e o medo será o próprio Deus. Surgirá então uma vida nova, um homem novo. Tudo será novo. A história dividir-se-á em duas partes: do gorila à destruição de Deus, e da destruição de Deus.. .
— Ao gorila?
— … à transformação física da Terra e do homem. O homem será Deus; transformar-se-á fisicamente. O Mundo também se transformará, assim como as acções e as ideias e todos os sentidos. Que lhe parece isto da transformação física do homem?
— Se for indiferente viver ou não viver, todos se hão-de matar, e aí está a sua grande transformação.
— Nem mais. E mata-se a trapaça em que vivemos. Qualquer homem que deseje liberdade deverá atrever-se ao suicídio. O que ousar tal coisa desvendará o mistério do embuste. Fora disso, não há liberdade: está tudo aí; o que ousa matar-se é Deus, de modo que cada qual pode fazer com que deixe de haver Deus. E não haverá. Mas ninguém ainda experimentou.
— Tem havido milhões de suicidas.
— Todos por outra coisa, todos por medo, e não por isto que digo. Nunca para matar o medo. Aquele que se matar só para matar o medo tornar-se-á imediatamente Deus.
— Talvez não tenha tempo — observei.
(…)

páginas 71/72

Fiódor Dostoiévski, Os Demónios // tradução: Reis Madeira // editor: Círculo de Leitores, Lisboa, Set. 1983

na corda bamba

13 Jun
13.06.2006

É preciso uma grande pressão para nos levar a compreendermos-nos. Por outro lado, a civilização ensina-nos que cada um de nós vale um preço inestimável. Há, portanto, este dois preparativos: um para a vida e outro para a morte. Por isso nós avaliamo-nos e temos vergonha de nos avaliar-mos. Fomos treinados no silêncio e, se um de nós tira ocasionalmente as suas próprias medidas, fá-lo friamente, como se estivesse a examinar as unhas, e não a alma, franzindo o sobrolho às imperfeições que encontra como se fossem uma lasca ou uma sujidade.(…)
Mas eu tenho de saber o que eu próprio sou.
(…)
Sinto que sou uma espécie de granada humana a que tiraram a espoleta. Sei que vou explodir e estou constantemente a antecipar essa altura, gritando com um desespero fervoroso: «Bum.», mas sempre antes do tempo.
Goethe tinha razão num sentido: a vida que continua significa expectativa. A morte é a abolição da escolha. Quanto mais limitada é a escolha, mais perto estamos da morte. A maior crueldade é cortar esperanças sem tirar completamente a vida.

página 120 e 149

Saul Bellow, Na Corda Bamba // título original: The Dangling Man // tradução: Maria Adélia Silva Melo // editor: Dom Quixote, Lisboa, Dez. 1976

o fim da história

13 Jun
13.06.2006

O problema do cristianismo, no entanto, é que não passa de uma outra ideologia de escravos, isto é, não é verdadeira em determinados aspectos cruciais. O cristianismo não defende a realização da liberdade humana na Terra, mas apenas no Reino dos Céus. Por outras palavras, o cristianismo contém o conceito certo de liberdade, mas, ao afirmar que não existe libertação nesta vida, acabou por reconciliar os servos deste mundo com a sua falta de liberdade. Segundo Hegel, o cristão não tem consciência de que não foi Deus que criou o homem, mas sim o homem que criou Deus. Criou-O como uma espécie de projecção da sua ideia de liberdade, pois o Deus cristão personifica o senhor perfeito de si próprio e da natureza. O cristão, no entanto, acaba por se tornar servo deste Deus que ele próprio criou. Reconciliou-se com uma vida de servidão na Terra, acreditando que seria mais tarde redimido por Deus, quando poderia ser o redentor de si próprio. O cristianismo constituiu, pois, uma espécie de alienação, isto é, uma nova forma de servidão em que o homem passava a servir algo que ele mesmo havia criado, tornando-se portanto um ser interiormente dividido.
O cristianismo, essa última grande ideologia de escravos, deu ao servo uma visão do que deveria ser a essência da liberdade humana. (…) Hegel considerava a sua filosofia como uma transformação da doutrina cristã, já não fundamentada no mito ou na autoridade das Escrituras, mas na conquista pelo escravo do conhecimento e autoconsciência absolutos.

página 199

Francis Fukuyama, O Fim da História // título original: The End of History and The Last Man // tradução: Maria Goes // editor: Círculo de Leitores, Lisboa, Out. 1992 // isbn: 972-42-0562-2

12 Jun
12.06.2006

Eu sei que aquilo que escrevo já foi escrito antes, como tudo aquilo que hoje fazemos, salvo raras excepções, já foi feito há muito tempo antes de nós. Tudo é assim na vida. Na literatura também.

José Saramago

reasons… death…

28 Fev
28.02.1999

A world of immortality is inherently inconceivable, if not downright unpleasant to think about.
Sustaining life (or postponing death, depending on your point of view) is what makes life worth living.
Eating, sleeping, working, playing, procreating… this is all the process of sustaining our lives; of avoiding death.
Having a life without death would be like having a bicycle without pedals.
It just wouldn’t go anywhere or do anything.
There would be no reason for it.

from somewhere

Encontrei isto na minha pasta TEMPO. O ficheiro .txt tinha a data de 1999 A.D. (?)

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beam me up, scotty!