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a altura é hoje

Aqui está uma foto que se enquadra nesta época. Moi mascarado.

the girl with all the gifts por m.r. carey

Terminei a leitura ontem deste livro que trouxe novas possibilidades para um tema já tão esmiuçado: zombies, mas aqui chamados de “hungries”.

alerta de spoiler

Os humanos são transformados em “hungries” devido ao fungus Ophiocordyceps unilateralis apenas encontrado até então nas florestas tropicas da Tailândia e do Brasil. Os “hungries” vêm com naturalidade os outros humanos como comida. Estes “hungries” são irracionais e agem pela necessidade básica de sobrevivência. Existem outros “hungries” de segunda geração, híbridos, crianças possivelmente geradas de pais já infeccionados, que apesar de atacarem os humanos, são racionais, capazes de aprendizagem. Um destes “hungries” é Melanie. Uma rapariga que encontramos num centro de detenção/laboratório onde se procura uma cura. Aqui ela cria uma relação especial com a professora/psicóloga Helen Justineau. Relação que é o motor chave da história.

Entre percalços a base é invadida e apenas conseguem fugir, Melanie, Helen Justineau, o Sargento Parks, o soldado Kieran Gallagher e a cientista Caroline Caldwell. 

Entre outros percalços e mais percalços ficamos a descobrir que existem mais “hungries” híbridos que vivem em comunidade e que os “hungries” irracionais acabam, na última fase da vida, por estacionarem juntos. O fungo acaba por consumir o resto do corpo do hospedeiro e transformar-se numa “árvore” cujos frutos a abrirem-se libertarão o fungo por via área. O que significará o fim para os humanos ainda não contaminados. Isto acaba por acontecer por iniciativa de Melanie. Incendiadas os frutos abrem-se e o fungo espalha-se pelo mundo como chuva.

Melanie é a nova Pandora que abriu a caixa dos pesadelos.

A novidade da obra está nos zombies racionais e na extinção do homo sapiens sapiens.

A esperança de uma “nova humanidade” reside nos “hungries” híbridos e na sua capacidade de aprendizagem. Isto irá acontecer porque Helen Justineau ficou a salvo num perfeitamente hermético laboratório móvel (parte dos percalços) e vai continuar a ensinar – a esperança existe! Transmissão de conhecimentos.


Vi o filme. Existem algumas variantes na forma de contar a história, mas compreende-se isso. Fraco filme, comparado com o livro.


Em resumo. História lida, como costume dizer, sem sobressaltos e mais por culpa da vinda do autor a Portugal. Fiquei curioso. Culpado!

Pintura: Pandora por Nicolas Régnier (via wikipedia)

coisas de maio, 2017

As leituras de alguns fins-de-semana e não só.

Um pouco de banda desenhada:

  • Airborne 44 de Philippe Jarbinet
    Já conhecia esta série depois de ter lido na L’immanquable n°6 (06.2011) o álbum n.º 3. Apenas li o primeiro ciclo (Onde os Homens Caem e O Amanhã Será Sem Nós) desta excelente série com desenhos, textos e cores de Philippe Jarbinet. Adorei a leitura – admirável. Para o próximo fim-de-semana será lido o segundo ciclo.
  • Mulher-Maravilha: Terra Um de Grant Morrison e Yanick Paquette – da nova colecção da Levoir, Mulher-Maravilha, não me convenceu pela história, com pouco ritmo; adorei , contudo, a arte.
  • Trolls de Troy: L’or des trolls [tome 21] – como sempre é uma leitura divertida (lida nas revistas Lanfeust Mag n.193 a n.199)

Depois foi um pouco de fantasia:

  • Elric – O Príncipe dos Dragões de Michael Moorcock
  • Nove Príncipes de Âmbar de Roger Zelazny
    Descobri o mundo fantástico de Âmbar através do livro The Great Book of Amber.
    Em 2008 comecei a reler As Crónicas de Âmbar através da colecção Argonauta, que em 2001 no seu  n.º 521 editou, Nove Príncipes em Âmbar. Não terminei (a razão). Volto novamente à carga em português com a edição da Saída de Emergência.

mais leitura

  • Comboio Fantasma Para o Oriente de Paul Theroux – adorei. realmente magistral. fiquei viciado.
  • As Fabulosas Aventuras de Solomão Kane de Robert E. Howard – leitura muito agradável. Este livro, editado pela Saída de Emergência, é composto pelos contos:
    – As Caveiras nas Estrelas (Skulls in the Stars) [1929]
    – A Mão Direita do Destino (The Right Hand of Doom) [1968]
    – O Chocalhar de Ossos (Rattle of Bones) [1929]
    – A Lua de Caveiras (The Moon of Skulls) [1930]
    – As Colinas dos Mortos (Hills of the Dead) [1930]
    – Asas na Noite (Wings in the Night) [1932]
    – Os Passos no Interior (The Footfalls Within) [1931]
    e pelo poema:
    – O Regresso a Casa de Salomão Kane(Solomon Kane’s Homecoming) [1936]
  • Eu Sou a Lenda (I Am Legend) [1954].
    Editado pela Saída de Emergência, este livro com textos de Richard Matheson, além do excelente romance que lhe dá nome, ainda tem os contos:
    – Nascido de Homem e Mulher (Born of Man and Woman) [1950]
    – Presa (Prey) [1969]
    – Perto da Morte (The Near Departed) [1987]
    – Pesadelo a 20.000 Metros de Altitude (Nightmare at 20,000 Feet) [1962]
    – Os Filhos de Noé (The Children of Noah) [1957] – conto previamente lido, salvo erro, na colecção Biblioteca Hitchcock do Círculo de Leitores.
  • O Peso do Coração de Rosa Montero – adorei ler esta aventura, daí que o segundo volume conste da minha lista de desejos.

de lado – 0017

‘So many heads and so few brains’, said the zombie. ‘We are doomed!’

zombie 01

I don’t like to eat people who limp’, said the zombie. ‘They don’t offer any challenge.’

from the perverse mind of paulo brito

plants vs zombies

Estava à espera de muita coisa, mas não disto. A versão wow de plants vs zombies.

plants vs zombies

plants vs zombies

E lá fiquei com um novo e espectacular companion.

a luz miserável

A hora ou a altura do dia é indiferente. Onde reina a música da perpétua escuridão e o tempo não corre esses artifícios humanos são uma natural anedota. O local é uma gruta que possuía uma viscosidade agradável e que transpirava uma doce podridão admirada por muitos, mas que exigia um laborioso trabalho de manutenção. E nem todos os horrores estavam com disposição para comer humanos numa dieta regular, expelir excrementos de alma e cuidar durante séculos desse perpétuo jardim de bosta anímica. A maior parte deles degustavam um humano por diversas décadas enquanto palitavam animais. Por isso quando foram liminarmente convocados por #$%&$%# (nome impronunciável, mas que pode ser chamado de ‘o portador da luz’) ocorreram de bom grado para beberem dos seculares, bafientos, abomináveis cheiros da sua residência.

Obrigado pela vossa pestilenta presença”, disse #$%&$%# – ditatorial líder dos mundos horrendos – sem qualquer esforço verbal para a massa amorfa de horrendos que enchia a enorme gruta; a sua enorme bocarra possuidora de uma garganta afunilada facilitava o arrojar de palavras, de gritos sibilinos a longas distâncias, e a sucção de qualquer corpo etéreo ou carnal para um dos seus 32 estômagos – o VIII estômago era o seu preferido; aí a maceração de qualquer alma permitia obter um excremento baunilhado. “O motivo que me levou a solicitar a vossa presença de forma tão inusitada é o atrevimento do David Soares em lançar um inclassificável livro de horror? demasiado real. Ele inocentemente rotula-o de horror, mas todos nós sabemos o quanto ele se aproximou da nossa verdade. Ele não tem apenas uma imaginação fértil, tem uma perspicácia para o fantástico realmente assustadora.

ABAIXO O DAVID SOARES”, gritaram em divina unidade os horrendos. #$%&$%# deixou apenas por breves instantes que a massa pensasse que tinha uma opinião relevante enquanto um dos seus braços – tentáculos? – usava um coto de um homem para coçar o seu sexo sempre tumescente porque logo entoou um “BASTAAAAAAAAAAA” que silenciou os horrendos. “Com os zombies, os anjos, os vampiros e outras vulgares bichezas ainda temos tido paciência porque nos divertem – um pouco – e permitem manter afastadas as atenções dos nossos macabros, mas necessários, propósitos. O que seria a humanidade sem um pouco de saudável horror. Agora este David Soares com estes contos está a substituir-se a nós. O horror é apenas nosso. Só nosso. Mas em apenas três contos, em 122 páginas, temos histórias que nos tratam fielmente. Alguns poderão pensar ‘ah! 122 páginas, isso não é nada’, mas eu em boa verdade vos digo que ele em 122 páginas faz mais estragos que muito dito escritor em 956 páginas. São histórias visuais que se desenrolam sem gaguejos. Não deixa pontas soltas. Assuntos inacabados? Nem pensar. As personagens e os ambientes claustrofóbicos incomodam pela crueza do horror retratado. E quando se incomoda, também se fascina; ele faz-nos sentir atraídos pelo horror. NÃO QUERO QUE AS PESSOAS SEJAM MARIPOSAS PERANTE O HORROR ESCRITO PELO DAVID SOARES.” Nesta fase do discurso #$%&$%# parou para avaliar o resultado das suas palavras. Ameaças soltas começaram a ser ouvidas aqui e acolá. “Eu fico com um braço.“Para mim a língua.” “Para mim o resto.

#$%&$%# decidido a acalmar os horrendos sequiosos por um pedaço do escritor arrotou um sonoro e bafiento “CALEEEM-SE.” “O que mais me aborrece é que quando nós sairmos à rua o que sobra? NADA! Depois de 122 páginas nada será como antes. Nós deixaremos de ser o horror porque as palavras de ‘David Soares’ serão a nova bitola para o definir. O que mais me aborrece é que ele ainda tem a presunção de oferecer a cada novo halloween um novo livro de horror. O que me aborrece é que ele não deixou nada ao acaso…

VAMOS A ELE”, interrompeu a turba ignorante. #$%&$%# aborrecido por mais uma interrupção sorveu e arrotou sem dificuldade um horrendo perto de si e as hostes transformaram-se magicamente num mar de tranquilidade. “Até o grafismo do livro foi cuidadosamente pensado”, continuou #$%&$%#, “Cor vermelha – sangue – na capa. As letras a branco sobre um fundo totalmente preto – escuridão – dão ao livro um cheiro característico. O livro vive com uma identidade própria na mão dos leitores; mais uma cuspidela inconsciente ou não, para mim isso é irrelevante, nos defensores dos ebooks. A originalidade do ‘Rei Assobio’ é tão saudavelmente doentia que não deixará ninguém apático – se alguém ficar apático é de choque.

Só temos uma saída de emergência e não é traga-lo”, prosseguiu #$%&$%#, “porque quem domina o horror com aquela mestria está imune a qualquer um de nós. Por isso só nos resta uma alternativa comprar todo e qualquer exemplar d ‘A Luz Miserável’ antes que mais humanos o comprem. O HORROR TEM DE SER NOSSO MAIS UMA VEZ”, terminou #$%&$%#. “Sabem o que têm a fazer.

Magicamente uns – o sempre delicioso efeito ‘puf’ -, outros aos tropeções, os horrendos foram esvaziando a gruta em direcção às livrarias. E pela primeira vez em séculos os horrorosos horrendos deixaram de ser o horror no halloween.

o anjo mais estúpido

“O Anjo Mais Estúpido” de Christopher Moore é uma delirante história de natal com pessoas felizes, outras menos felizes, dança, árvore de natal, com um anjo… mesmo estúpido, com uma “deusa” guerreira e com zombies.
Enfim, uma história nada convencional, mas por demais divertida.

O Anjo Mais Estúpido, Christopher Moore
título original: The Stupidest Angel
editor: Editora/ Leya, 1ª edição BIS (set.2009), 240 páginas
tradução: Leonor Bizarro Marques
capa: Rui Belo/Silva/designers
revisão: Clara Joana Vitorino
isbn: 978-989-660-026-6

eram diabos à solta… ou zombies!?

Ontem Barcelos, uma grande aldeia com muitas casas, ficou literalmente às escuras durante mais de 5 horas. De imediato as luzes de presença colocadas em locais estratégicos da casa activaram-se e durante 1 hora ainda houve luz eléctrica. Depois como bom pater familias que sou resolvi o problema com uma facilidade assustadoramente simples – coloquei velas.

Tudo correu bem com as duas crianças enquanto a PSP e as DS tiveram bateria. Depois com a ausência continuada e prolongada das consolas e da TV foi um pouco complicado gerir o ambiente familiar.

Tentei explicar aos meus filhos o impossível – que quando tinha a idade deles ficar sem luz eléctrica era mais que normal em noites de maior chuva e vento. As velas, os lampiões eram objectos obrigatórios em qualquer casa. Isto ainda tentarem compreender e, por isso, aceitar a situação anormal que presenciavam, foi a primeira vez para a Margarida, mas quando mencionei que até se usavam à noite penicos quando eu tinha a idade deles senti que deixaram de me ver como um pai e mais como um neanderthal. Mudei de “onda” e o stress criado pelo ambiente à século XIV foi disperso quando recorrendo aos meus dotes teatrais fiz de palhaço e animei a família.

Mal sabia eu que o pior estava para vir. Eram 20.30 e Barcelos ainda estava 90% às escuras quando começamos a ouvir uns grunhidos do exterior. Era uma litania nada religiosa. O teor da ladainha enfadonha, pois claro, inicialmente imperceptível, com mais “coisas” a entoa-la, foi-se revelando – “benficaaaaaaaaaaa… jogooooo……” Percebi de imediato que com os cafés fechados por motivos mais que óbvios, a que não falhou a “casa do benfica”, “os diabos” deixaram de ter os habituais poisos de nidificação à disposição e andavam sem rumo, perdidos, desesperados pela cidade, sem saberem como “assistirem” ao jogo cujo início se aproximava inexoravelmente. Foi além de anedótico, lindamente assustador, ver directamente do conforto da minha casa iluminada à luz das velas “zombies de vermelho” de olhos brancos sem qualquer resquício de inteligência à espera da “luz”!

benficaaaaaaaaaaa… jogooooo……

benficaaaaaaaaaaa… jogooooo……

Sabia que o espectáculo diabolicamente divinal que estava a assistir iria a qualquer momento terminar e tal aconteceu quando sem motivo aparente a EDP cumpriu a sua missão e pontos de luz começaram a despontar inicialmente trémulos, mas logo depois a uma velocidade vertiginosa e nessa altura era ver os “zombies” agora transformados em “mariposas” a correrem histericamente descontroladas em direcção às “luzes”.

Não sei se as “mariposas zombies” ainda chegaram a tempo ao “benficaaaaaaaaaaa… jogooooo……“. Soube, isso sim, que o espectáculo tinha acabado e que a rotina já sem penico ia recomeçar.

zombiessssss…. brainsssssssssss

Ao contrário de Drotara eu curti os zombies. Foi chato a latency. Os npcs mortos. Mas no geral foi divertido arrebentar com as cidades.